Maya, um Labrador Retriever Morando na Irlanda

A Maya é uma cachorrinha que podemos chamar de sobrevivente, teve parvovirose ainda bem filhotinha – foram vários remédios e idas ao veterinário e hoje, com quase 3 anos de idade, essa labrador retriever mora na Irlanda com sua humana, Tana Barreto. Leiam a história delas na entrevista que a Tana deu para o Manual.

Screenshot_20180508-072639_1MB: Como começou a história de vocês?
TB: Em 2014 eu ganhei um labrador (Clarinha) que faleceu envenenada com 6 meses. Eu fiquei muito mal com a perda e ganhei a Maya pra me ajudar. Maya chegou na minha casa com 41 dias de vida e dois dias depois começou a apresentar alguns sintomas de parvovirose. Foi quando levamos ela para o hospital, a doença foi detectada e ela já ficou internada. Ela não pegou a doença na minha casa, o canil teve um surto e as três ninhadas da época foram atingidas com a doença. Vinte e um filhotes foram contaminados, apenas Maya sobreviveu! E foi aí que nossa história começou. Eu realmente sabia que ela era meu presentinho enviado por Deus. Devido ao tratamento da parvovirose, Maya teve uma infância bem complicada porque os remédios eram contra-indicados para cães em desenvolvimento. Então, até os 6 meses dela a gente vivia em veterinários porque ela teve muitos problemas de pele, alergias e falta de apetite. Um pouco mais tarde, em janeiro de 2017 descobrimos que Maya tinha pancreatite e algumas más formações. Fizemos o tratamento, novamente ela ficou internada e foi castrada, pois o útero dela não estava totalmente formado, então a veterinária optou por isso para uma melhor qualidade de vida também. Eu e Maya sempre fomos muito grudadinhas e sempre tive muito cuidado com tudo que diz respeito a ela, saúde, comidas, diversão. Sempre doei uma parte do meu tempo para ela.

MB: Onde vocês moram?
TB: Somos de Fortaleza, mas atualmente estamos morando na Irlanda.

MB: Há quanto tempo moram no novo país?
TB: Nós estamos há 9 meses e a Maya há 6 meses.

MB: Como foi a mudança? 
TB: O começo foi muito difícil porque tive que vir na frente (sem ela) para procurar uma casa que aceitasse ela, porque aqui na Irlanda isso é bem dificil. Fiquei quase 3 meses sem ela e durante esse tempo, ela ficou em Fortaleza. Um período com minha mãe e outros períodos com amigos (Erika, que tem um golden retriever; Charles, que tinha um Husky e Priscila, que tem um labrador que é irmã da Maya) procurei pessoas que tivessem cães para que ela pudesse se divertir e não sentir tanto a minha falta. Finalmente chegou o dia da viagem e Maya viajou de Fortaleza/SP com minha amiga Priscilla (no setor de cargas). De SP/Alemanha – Alemanha/Dublin ela já estava sendo assistida pela empresa contratada para a viagem. O total de horas de viagem foi de aproximadamente 13 horas (sem contar Fortaleza/SP). Foi super tranquilo. Maya se comportou super bem. Não fez xixi e nem coco dentro da caixa. Não foi cedada pois as empresas aéreas não permitem. Ela simplesmente passou o dia na creche antes da viagem para ficar bem cansada. Quando Maya chegou na Irlanda, eu não tive problemas com adaptação climática com ela. Ela sempre adorou o frio. Tive apenas que ensiná-la o local correto do xixi porque em Fortaleza ela tinha livre acesso ao quintal. A ração tivemos que fazer a migração para a nova porque a que ela comia não vende aqui (para isso trouxemos a ração dela). Maya adorou a neve, o frio. No começo ela tinha medo das roupas das pessoas, de quem falava inglês perto dela (mas agora ela já está mais habituada com isso também). Hoje a vida voltou ao normal.

Maya
Maya em dois momentos: à esquerda, pronta para viajar. E à direita, curtindo a neve na Irlanda

MB: Alguma dificuldade? Em relação a documentação exigida ou mesmo pela viagem em si.
TB: Como trata-se de uma ilha, a Irlanda tem mais exigências para entrada de animais do que os demais países, principalmente se vier do Brasil. Então foi bemmmmmmmm burocrático trazer a Maya sim. As etapas foram as seguintes:
– Ela teve que ser microchipada
– Vacinada contra raiva
– Após 30 dias ela teve que fazer o exame de sorologia pra comprovar que ela realmente não tinha a doença e cumprir a quarentena no Brasil de 90 dias. Somente depois disso tudo que ela pôde viajar. Para entrar na Irlanda, ela só poderia vir como carga e através de um despachante aduaneiro. Então tivemos que contratar a empresa para esse serviços (o que encareceu bem mais todo o processo). A empresa fica responsável por toda documentação de entrada dela no país, inclusive a liberação no Ministério da Agricultura e alfandegária. Trazer a Maya custou em torno de 13 mil reais. Eu não tinha esse dinheiro, então fiz campanha nas redes sociais e rifas para conseguir esse valor. A história da Maya viralizou na internet e eu consegui!

MB: Quais diferenças você nota em relação a vida com bichos no Brasil e no país onde estão? Pet shops, alimentação, etc..
TB: Aqui em relação a animais é 100% diferente do que é no Brasil. A vida da Maya era bem diferente. Lá ela tinha creche, natação, encontros de animais, passeios a praia, restaurante pet friendly etc. Aqui as pessoas são bem frias em relação a animais. Não temo muita variedade em pet shops como tinhamos em Fortaleza. Compramos tudo pela internet, porque as lojas mesmo não são tão estruturadas quanto no Brasil. Veterinários também não temos tanto acesso porque é tudo muito caro e aqui você não pode comprar um remédio sem receitas, obrigatoriamente você precisa passar por consulta (o que dificulta muito). Não achei lojinhas como em Fortaleza que vende artigos pet como lacinhos, roupinhas e variedades de produtos pet como por exemplo shampoo, escova de dente e etc. É tudo bem básico aqui. Não sei se é porque não moro na capital, mas essa é uma dificuldade que tenho aqui. Porém as coisas são bem mais baratas (brinquedos, ração, petiscos…) A ração da Maya eu compro pela internet e eles entregam na minha casa sem custo e muito rápido (3 dias), mesmo vindo de outros países. Isso é fantástico!

MB: Alguma dica para aqueles que podem fazer a mesma mudança em breve?
TB: A minha dica para aqueles que vão se mudar independente se for apenas de uma casa para um apartamento ou até mesmo de país, é que tenham sempre em mente o que querem e quais são as prioridades para que possam trabalhar com antecedência em cima disso. Mudanças nunca são fáceis nem pra gente, imagina para eles, mas com tempo e programação dá certo! E a melhor dica: nunca desista do seu pet, independente das dificuldades que possam vir a surgir, tudo vale a pena! Eu faria tudo de novo e quantas vezes fosse preciso. “Eles não precisam de casas grandes, carros luxuosos e dinheiro. Um pedaço de graveto é suficiente. Dê seu coração e ele lhe dará o dele”.

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Maya e a família na Irlanda ❤

 

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