Jack, ladrão de corações

Muitas pessoas associam a ideia de ter um animal de estimação a um filhotinho, elas visualizam uma bolinha de pêlos e todo um cenário com ele. Só fica de fora a parte da adaptação e treinamento que requer tempo e muita paciência, lembrando que cabos de televisão e computador possivelmente serão mordidos, os chinelos e, às vezes até móveis (eles tem que experimentar o mundo). Esse processo é legal, mas não é para todo mundo e fazer essa avaliação é importante e não significa que a pessoa não pode ter um bicho de estimação. Ao contrário, uma ótima opção é adotar um animal adulto – acima de um ano para cães e de seis meses para gatos, o amor será igual e os futuros dias felizes também. Há quase um mês a Anne Chaves e o namorado estão vivendo essa experiência com o Jack, que de acordo com ela “em tão pouco tempo já roubou nossos corações”. Leiam abaixo a história deles.

39409316_1601470136630116_1740465200974266368_n“Eu e meu namorado moramos juntos e gostamos muito de animais, qualquer tipo, e surgiu a vontade de ter um cachorro. Procuramos as ONG’s que acolhem animais para ir pesquisando. Uma amiga, Caroline Moura, é voluntária na AATAN e ela me falou do Jack. Ela tirava fotos com ele para campanhas online afim de encontrar uma família para ele. Quanto mais eu via fotos dele, mais me apaixonava”. Eles não sabiam muito sobre a história dele, apenas que tinha chegado no abrigo esse ano. “Suspeito que tenha sido abandonado, pelo comportamento dele ser bem carinhoso, ele não demonstra ter medo de pessoas ou de outros animais, é bem dócil”.

Eles resolveram manter o nome que ele tinha no abrigo, Jack. “Achamos que ele já estaria se adaptando a um novo ambiente, novas pessoas, por quê faze-lo se adaptar a um nome novo também? É muita coisa para eles processarem.” E ele é, oficialmente, o primeiro cachorro deles – que já puderam viver com outros bichos quando moravam com os pais. “Eu já tive vários cães quando era criança e adolescente, sem contar as aves e peixes. Meu namorado teve um cachorro quando morava com os pais. No momento nós temos dois hamsters, nos quais o Jack até agora tem se dado bem, curioso, porém nunca agressivo. Mas considerando que o Jack é o primeiro animal desse porte que eu e meu namorado pegamos para cuidar sem auxílio dos nossos pais, como foi na infância e na adolescência, acho que podemos dizer que é nosso primeiro cachorro”.

E no momento que decidiram adotar, eles fizeram a coisa mais importante e que muitas pessoas só pensam depois: avaliar as finanças para ter certeza que seria possível. “Analisamos financeiramente, pois uma vida requer cuidados, alimentação adequada, veterinário, vacinas e tudo mais. Nos informamos sobre as regras do condomínio em que moramos sobre animais de estimação. Na casa em si tiramos todos os objetos que pudessem ficar ao alcance dele e trazer algum mal. Só depois da adoção compramos potinho, brinquedinho, justamente para ir testando o que ele gosta. Meu pai deu uma caminha para ele também. Separamos um lugarzinho para ele ficar conosco durante a noite. Também acredito ser importante pensar na rotina, como vivemos em apartamento, é um ambiente fechado sem muito espaço, então planejamos que ele passearia com frequência, no caso, o Jack passeia duas vezes por dia”.

Sobre o fato do Jack ser um cão adulto, a Anne disse que inicialmente eles tinham um “molde” também. “Queríamos uma fêmea filhote, porém quando conhecemos os outros cachorrinhos adultos acabamos nos apaixonando e o Jack foi a gota d’água, nossos corações não poderiam dizer não. Mas se você analisar isso de forma mais técnica, também há vantagens. Por exemplo, como moramos em apartamento não podíamos pegar um cachorro muito grande, e um filhote não tem como saber o tamanho que ficará, por ser SRD. O temperamento/personalidade também já está construído. Ou seja, você tem uma ideia do cachorro que está levando para casa, e se ele se encaixa na sua rotina e casa/apartamento”. Outro ponto positivo para a adoção de bichos adultos e que surpreendeu a Anne e o namorado é que Jack só faz as necessidades na rua. “Esperávamos que ele seria mais difícil de se adaptar a essas coisas, ou a tapetes higiênicos. Mas o Jack é bem tranquilo, carinhoso, não late, fica na dele, e faz tudo na rua”.

Jack na casa nova

Quando pergunto se eles já passaram por alguma situação curiosa ou inusitada ela diz que conta sobre um dia que por um segundo esqueceram que havia um cachorro em casa. “Deixamos um hambúrguer em cima da cama sem supervisão, quando voltamos no quarto o Jack estava com a boca no hambúrguer. Na hora demos bronca, pegamos o hambúrguer dele, pois acreditamos que não seja saudável que ele coma esse tipo de comida, mas depois rimos muito da situação. É como ter uma criança nova em casa, a gente tem que se adaptar e educar“. E Jack de bobo não tem nada. Algumas coisas não mudam, sejam filhotes ou adultos. ❤ ❤ ❤

AATAN #perfilparaseguir

A região da zona rural de Sorocaba, no interior de São Paulo, sofre há anos com o grande número de cães e gatos abandonados. A tia Dirma começou a ajudar essa causa 30 anos atrás e imaginem o tanto que ela já fez pelos animais! E nos últimos 10 anos conta também com a ajuda de voluntários, que se organizaram para criar a ONG AATAN – Associação Abrigo Temporário de Animais Necessitados.  “Um dia no abrigo é de muito trabalho: alimentar, limpar, cuidar dos doentes, separar algumas confusões, capinar o terreno, se despedir dos adotados, mas acima de tudo é um ambiente cheio de amor e gratidão.”Venham ler, se inspirar, ajudar, compartilhar e apoiar a AATAN. Segue a entrevista abaixo.

Screen Shot 2018-09-12 at 8.40.10 PMMB: Para situar as pessoas que lerão o post. Onde fica o abrigo? E há muitos animais abandonados nessa região?
AATAN: O abrigo fica na zona rural de Sorocaba, o abandono na região é muito grande e continua aumentando, pois não existe uma política eficaz de castração e recolhimento dos animais em situação de rua na nossa cidade.

MB: Como e quando começou essa ideia?
AATAN: A Tia Dirma, que é a responsável pelo abrigo, começou a atuar na causa animal há 30 anos. Nos últimos 10 anos um grupo de voluntários se reuniu para ajudá-la, conseguiram a sede, criaram a ONG, organizam eventos de arrecadação, feiras de adoção e atuação nas mídias.

MB: Quantas pessoas ajudam o abrigo no dia a dia?
AATAN: Lá no abrigo a Dirma conta com a ajuda da família dela e mais três funcionários para manutenção do local, já os voluntários atuantes acredito que seja em torno de 20.

MB: Como é um dia no abrigo?
AATAN: Um dia no abrigo é de muito trabalho: alimentar, limpar, cuidar dos doentes, separar algumas confusões, capinar o terreno, se despedir dos adotados, mas acima de tudo é um ambiente cheio de amor e gratidão.

MB: Vocês recebem alguma ajuda governamental? Como se mantem?
AATAN: Não recebemos nenhuma ajuda pública, dependemos 100% de doações. Muitas pessoas e empresas da cidade organizam eventos de arrecadação e também vendemos produtos do abrigo como: canetas, imãs, mantas e camisetas.

MB: Qual importância do abrigo na região onde ele está? As pessoas deixam animais abandonados na porta?
AATAN: Muitas pessoas nos pedem ajuda através das redes sociais, mas infelizmente estamos lotados e não fazemos resgates, porém disponibilizamos um meio de divulgação no nosso Facebook. Mesmo não divulgando o endereço do abrigo, pelo menos uma vez por semana cães e gatos são abandonados na nossa porta.

MB: Vi em alguns posts que é comum algumas pessoas devolverem animais adotados, ex: Dolar. Isso ocorre com frequência? Há algum tipo de acompanhamento depois da adoção?
AATAN: Quando o número de adoções aumenta é mais comum que animais sejam devolvidos, temos um procedimento de adoção bem rígido, mas infelizmente algumas pessoas adotam por impulso e quando o animal está em casa eles se dão conta disso. Fazemos pós adoção com todos os adotantes e também mantemos contato com eles através das redes sociais.

MB: Por que ajudar os bichos?
AATAN: Porque ajudar alimenta a nossa alma e fazer o bem enriquece, os animais precisam muito da nossa ajuda e nós também precisamos deles. O abandono na região é muito grande, basta sair de casa que você cruzará com cães e gatos no seu caminho. Apoiar iniciativas como a nossa pode mudar essa realidade, temos atualmente 350 abrigados entre cães e gatos, são muitas bocas para alimentar e se cada um colaborar com um pouco, nenhum deles sentirá fome.

Alguns dos bichos para adoção da AATAN ❤

MB: Se alguém quiser colaborar com vocês, como fazer?
AATAN: Comprando nossos produtos a venda nas feiras de adoção, participando dos nossos eventos, sendo voluntário ou deixando doação nos nossos pontos de arrecadação:

☞ Espaço Vital – Fisioterapia Especializada | Rua Visconde do Rio Branco, 601.
☞ Escola Two Four Seven de Inglês | Av. Nogueira Padilha, 247.
☞ Vila da Esquina | Rua Capitão Nascimento Filho, 127.
☞ Geração Pet (depósito) | Rua Campinas, 137
☞ Associação dos Deficientes de Votorantim | Rua Monte Alegre, 470
e depósito na conta bancária:
Banco Itaú
Agência: 1653
Conta Corrente: 35850-5