Adoção em dose dupla

No fim do ano passado a Luciana Santos ganhou uma família nova. Ela e o marido optaram por não ter filhos e queriam muito uma cadelinha, pesquisando ONGs no Instagram ela chegou até a Adote um Focinho. “Gostamos de uma cadelinha, passamos por todo o processo de adoção, agendamos e fomos; chegando na ONG essa cadelinha havia sido adotada.” Ela conta que sabia que isso poderia acontecer e não se deixou levar pelo desânimo. Venham ler a história do primeiro Bicho Novo em Casa do ano! Na verdade, Bichos Novos em Casa 🙂

“Nos apresentaram várias outras, ficamos quase por 4 horas conhecendo algumas e gostamos de uma filhotinha de 3 meses, porém tinha alguém que iria visitá-la na semana seguinte e então nos apresentaram a mãezinha dessa filhote; acabamos brincando com ela e decidimos ficar. Não há levamos na mesma hora pois a ONG tem como princípio, doar os animais castrados e vermifugados e precisávamos aguardar por 10 dias.”

Imagino a ansiedade da Luciana para levá-la logo para casa, mas a história não pararia por aí. “Uma das responsáveis pela ONG (Mônica), entrou em contato comigo perguntando como foi nossa visita por lá e contei que gostamos da mãezinha, ela sugeriu que ficássemos com as duas e respondi que não! E ela me informou que seria uma adoção até melhor para adaptação delas e seria ótimo não separar as duas.”

Eu não conhecia a ONG Adote um Focinho, mas vou dizer que já gostei!

“Conversei com meu marido e ele falou: vamos adotar as duas, eu até fiquei surpresa, pois o meu não de cara foi porque eu achei que ele não aceitaria, aí fiquei aguardando um segundo retorno da desistência do possível adotante da filha, eu achei que seria oferecido na visita dele ficar com as duas e como não tive retorno mandei mensagem para a Mônica perguntando: e ai o rapaz vai ficar com as duas? e ela respondeu: já sinta-se grávida, elas são suas!!! Chorei na hora e a Mônica respondeu: desde quando eu disse para vocês adotarem as duas, já dei como adotadas para vocês. Assim que respondeu SIM, quero ficar com as duas, já informei o rapaz que apareceu uma família que tem interesse pelas duas.”

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Luciana com Bibi e Pérola

Sobre a vida delas antes de chegarem no abrigo a Luciana conta que elas foram encontradas embaixo de chuva na porta de um salão de cabeleireiro em Cotia-SP. “Aparentemente a filhote tinha uns 2 meses e a mãe estava com cara de assustada. Uma moça as recolheu provisoriamente e saiu publicando quem queria ficar, chegou essa informação para a ONG e elas foram resgatá-las.”

Como já tinham o desejo de adotar uma cachorrinha, Luciana se mudou com o marido de um pequeno apartamento para uma casa maior. “A casa estava vazia, sem graça. Somente instalei dois portões para ensiná-las a fazerem xixi e cocô, mas logo que aprenderem vou retirar.”

E a escolha do nome delas? Você manteve ou mudou o nome do abrigo?
“No abrigo a mãe chamava Pérola e a filha Bibi, mantive Pérola e mudei da filha para Pitty, pois tenho um sobrinho que chama Fabiano e o apelido é Bibi, não ficaria legal continuar com o nome Bibi.”

Até aqui alguma curiosidade ou situação inesperada?
“Tenho um sobrinho de 6 anos que quando soube da adoção e marcamos dele conhecer ele soltou: tia Lú você é mãe da Pérola e Vó da Pitty, caímos na gargalhada, pois não havia pensando nisso. No mais tudo tranquilo.” ❤ ❤ ❤

As gostosuras Pitty e Pérola

 

Costeleta, um cãozinho cego e muito feliz

O último Bicho Novo em Casa do ano é com esse fofíneo, lindo e cremoso do Costeleta. Fico feliz por contar a história dele e da Malu, sua humana. Eles se conheceram meio que por acaso ou seria o destino? Acredito que só pode ser essa segunda opção porque ele acabou sendo adotado pela pessoa certa! A Malu diz que foi ele quem chegou até ela. “Fazia residência no hospital veterinário da Ulbra (Universidade Luterana do Brasil), e ele estava andando pelo campus! Até que o resgatamos!”

IMG-6020Como ele estava andando sozinho, a Malu não tem mais informações a respeito da vida dele antes de se conhecerem, mas as condições dele não eram as melhores.  “Ele estava cheio de carrapatos, com miíase (bicheira) nos testículos, e quase não tinha pelo no corpo devido a sarna! Mas sempre foi o dono do sorriso mais lindo e ainda tinha os olhos azuis mais maravilhosos! Porém ele tinha inflamações seguidas nos olhinhos e já não enxergava muito bem!”

Logo, uma amiga da Malu resolveu dar o nome de Costeleta ao mais novo mascote do grupo e todos concordaram. “Ficamos cuidando dele, castramos, tratamos a pele e ele se tornou nosso mascote. No final do ano, a Ulbra entrou em recesso e a diretoria disse “carinhosamente” que teríamos que “dar um jeito” nos mascotes. Então, eu o levei pra casa e todos se apaixonaram! Uma semana depois ele foi oficialmente adotado por mim!”

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Uma vez oficialmente adotado pela Malu, ela diz que não foi necessária muita preparação para recebê-lo. “Ele ocupou seu espaço rapidamente! Ele já estava castrado, já fazia tratamento para os olhos e ele sempre se ajudou demais!” E em relação aos olhos, ele nem sempre foi cego. E ela explica como isso aconteceu. “Ele tinha os olhinhos quando o adotei, mas não enxergava muito bem. Depois de mais ou menos 1-2 meses de sua adoção, tive que viajar e deixei uma pessoa cuidando dele (para aplicar os colírios, etc), porém quando retornei de viagem vi que ela não foi a melhor cuidadora, ele perfurou um dos olhinhos, levei imediatamente para o hospital e fizemos a cirurgia de enucleação (que é a retirada integral do globo ocular)! Ele respondeu muito bem e se tornou um cachorro mais feliz! Porém, o olhinho que ficou seguia sempre incomodando, não respondia mais aos tratamentos com colírio. Ele desenvolveu catarata e glaucoma. A Oftalmologista sugeriu aplicação intraocular de medicamentos, mas eu via que ele sentia muita dor. Como ele já não enxergava nada e era só uma questão estética eu optei por enuclear este olhinho também!”

Mas muito se engana quem pensa que para o Costeleta isso significou sofrimento ou que a vida dele com a Malu mudou completamente. “Desde então ele se tornou mais feliz ainda! Sem dor! Se adapta muito bem a todos os ambientes! Após se tornar “oficialmente” um cão sem olhos eu me mudei pra uma casa que tem uma pequena escada, em poucas horas ele se acostumou e já sabia transitar por toda a casa! Ele é sempre o primeiro a saber que tem alguém chegando em casa! Adora ficar no pátio da frente latindo para as pessoas e outros animais que passam na calçada! Adora fazer novos amigos! E por incrível que pareça ele adora correr atrás dos meus gatos no pátio! Mas se dão muito bem!” ❤ ❤ ❤

 

A gatinha Antonella

A Gabriella Santos de Paiva já tinha a Sammy, uma cachorrinha SRD de 5 anos, quando a Antonella chegou em sua vida. “Eu queria muito uma gatinha, mas minha mãe não deixava pelo fato de morarmos em apartamento e já termos uma cachorra. Eu adotei a Antonella em um grupo de gatos do Facebook aqui da minha cidade, de início foi como lar temporário até que chegasse o aniversário da minha priminha, pois o gatinho dela havia morrido e ela estava muito tristinha querendo outro, mas quando chegou o dia de entregar pra ela, eu não consegui… já tinha me apegado! Daí fiquei com a Antonella e adotei outro gatinho e dei pra minha prima (ela o ama muito! E adorou surpresa)”.

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Antonella

Olha aí, mais uma vez as redes sociais ajudando os bichos a encontrarem um novo lar, seja temporário ou definitivo. Nem só de fake news é feita a internet. Leiam a história completa delas abaixo.

Hoje faz 07 meses que a Antonella se juntou à família da Gabriella, que a pegou com 35 dias, uma bebê ainda! Apesar de não ter muita experiência com gatos, ela diz que a preparação para recebê-la em casa foi tranquila. “Eu não tinha noção nenhuma de como cuidar de um gato, mas foi fácil… comprei caixinha de areia, ração e sachês para filhote.” Essa foi a preparação da casa, agora quanto à moradora mais antiga, a Sammy, já foi mais complicado, mas a Gabriella fez direitinho e deu certo. “O mais difícil foi a socialização com a minha cachorra, que por ser “filha única” e já ter 5 anos, foi um pouco “resistente”. Fui apresentando elas aos poucos, deixando em quartos separados. Dentro de 2 semanas o processo de socialização já estava completo e as duas brincando. Hoje não se largam e se amam muitão!!”

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Sammy e Antonella ❤ ❤

Minha dica é: tenha MUITA paciência, mas fique tranquilo porque no final dá tudo certo! No começo eu fiquei preocupada, pois a minha cachorra tentava “pegar” a gata. Então, eu assisti alguns vídeos no YouTube sobre socialização de cães e gatos, li algumas reportagens sobre o assunto e fui colocando em prática. Como, por exemplo, deixar elas em quartos separados nos primeiros dias, alternar elas de quartos para que se acostumem uma com o cheiro da outra, nos primeiros “encontros” delas esteja sempre junto, nunca force uma aproximação antes da hora, acontecerá naturalmente no tempo delas, no caso das minhas esse período durou 2 semanas, hoje são melhores amigas!” E essas dicas valem ouro hein! E dessa fez o Youtube dando uma mãozinha e que funcionou muito bem, eu mesma segui essas mesmas regras para adaptar meus dois gatos e funcionou também.

E como a Gabriella escolheu o nome dessa lindeza? “Eu tinha uma lista no meu bloco de notas com nomes que colocaria na minha filha quando tivesse hahaha e Antonella era um desses, daí decidi colocar esse nome na gata porque era o meu favorito.” Uma curiosidade a respeito da Antonella, “ela não bebe água no pote dela, só bebe água quando damos no copo (de gente) hahaha toda vez que vou até a cozinha beber água ela começa a miar pedindo pra eu dar o copo pra ela beber.”

Zigg, um cachorrinho esperto e temperamental

Você já teve aquela sensação quando está sozinha(o) em casa que falta alguma coisa? A Jaque Hermes sempre resgatou e teve cachorros enquanto morava com os pais, mas quando foi morar sozinha parecia que faltava algo. “Um dia soube que uma vizinha estava com uns filhotes mestiços que ela não poderia vender, eles iriam para um abrigo. Quando cheguei foi amor à primeira vista, 5 bolotinhas minúsculas, mas tinha um por quem eu me apaixonei desde que o vi. Era o maior e bem mais esperto que os outros, pretinho com o pelo duro, e a filha da dona me disse que era um dos únicos que tinha nome, Bob Marley. Como achei um nome muito manjado troquei pra Zigg e mantive o Marley.” Leiam abaixo a história cheia de aventuras do Zigg e da Jaque, que ela mesma escreveu para o Manual 😉

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Ziggy bebê e hoje em dia

“Ele foi um bebê terrível, bagunceiro e chorão (é até hoje, na verdade). A dona do canil tinha dito que a mãe dele era Yorkie e o pai dele era Lhasa Apso, mas pela aparência dele eu tinha certeza que estavam tentando “me enrolar”. Adotei ele crente que ia virar uma estopinha e era exatamente isso que eu queria (doce ilusão).

Um tempo depois acabei voltando para a casa dos meus pais, na parte rural de Caxias do Sul – RS. Lá ele aprontou de tudo, precisou ir pra veterinário com espinhos de ouriço, corria atrás das galinhas, roubava ovos, fugia pra brincar com o cachorro do vizinho, ia caçar… tudo isso com o “manão” dele, o Urso (um bebezão de 14 anos e 40kg que foi resgatado das ruas anos atrás) e foi a melhor coisa para a formação dele.

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Um belo dia ele acordou mal, fugia de todos, se escondia. Levamos ao veterinário e ele ficou internado. No outro dia fui visitá-lo e a médica me informou que ele estava com Parvovirose* e Giardia**, e que provavelmente não iria sobreviver. Lembro que pedi pra vê-lo e ela disse que ele estava no isolamento e não poderia receber visitas, perdi meu chão. Nessa época o cabelo dele já estava “clareando e alisando” e eu percebendo que minha estopinha não ia ter nada de estopa, ele tinha 8 meses.

Depois de 4 dias de internação ele teve alta, a felicidade não cabia em mim. Continuamos nossa vidinha até que conheci o Caio (que morava em SP e tinha 2 gatos e uma cachorrinha bem idosa) pela internet, um tempo depois resolvemos nos mudar para SP.

Zigg Marley sempre foi muito temperamental, assim como o Mozart (gato de quase 8kg do Caio) e confesso que de início tive bastante medo e eles estavam sempre com supervisão. Nos primeiros dias não trocavam olhares e depois começaram a se aturar.

Um mês depois a Vitória (cachorrinha de 17 anos do Caio) morreu e um pouco depois Mozart foi atropelado e quebrou o maxilar. Ficou na UTI, fez várias cirurgias, precisou colocar sonda e sempre ficava grogue pela medicação. Com isso Zigg se aproximou muito do Mozart, estava sempre preocupado, acompanhava cada hora do remédio, cada troca de curativo, cada vez que íamos dar comida e água.

Foi assim que eles viraram amigos, brincam, brigam às vezes, mas é coisa de irmão. Judith (a outra gata) é bem mais na dela, não dá muita atenção pra ele, mas a convivência também é boa.

Zigg nunca fez suas necessidades em casa, então saímos com ele várias vezes por dia e enquanto trabalhamos ele fica na casa da vó dele que faz tudo que ele quer.

E estamos aí. Ele lindo, loiro e liso, amando o Caio enlouquecidamente e sendo tratado como neto pelos meus sogros.”

***

Abaixo o descritivo das doenças (graves) que o Zigg teve e se curou.

*Parvovirose
É uma doença infecto-contagiosa causada por um vírus chamado parvovírus. Esta virose pode afetar cães de qualquer idade, porém os filhotes são mais suscetíveis à doença. Pois na maioria dos casos os filhotes de cães ainda não foram imunizados. A parvovirose canina pode ser transmitida pelo contato com as fezes e secreções de animais contaminados. O parvovirus é resistente, podendo manter-se no ambiente durante meses e desta forma infetar um novo hospedeiro.
Os sintomas iniciais incluem perda de apetite, diarreia, vômitos, desidratação, problemas respiratórios. A principal forma de prevenir esta doença é vacinação.

**Giardíase
A giardíase canina é uma doença provocada por um protozoário (Giardia lamblia) que se aloja no intestino dos animais. A infecção acontece quando o cão ingere água e alimentos contaminados por cistos oriundos das fezes de outro cachorro já infectado. Os principais sintomas são: Diarreia, vômito, desidratação, perda de peso, entre outros.Recomenda-se a vacinação, bons hábitos de higiene como método de prevenção. Vale ressaltar que as pessoas também estão sujeitas a adquirir essa doença.

Fonte: Wikipédia

Jack, ladrão de corações

Muitas pessoas associam a ideia de ter um animal de estimação a um filhotinho, elas visualizam uma bolinha de pêlos e todo um cenário com ele. Só fica de fora a parte da adaptação e treinamento que requer tempo e muita paciência, lembrando que cabos de televisão e computador possivelmente serão mordidos, os chinelos e, às vezes até móveis (eles tem que experimentar o mundo). Esse processo é legal, mas não é para todo mundo e fazer essa avaliação é importante e não significa que a pessoa não pode ter um bicho de estimação. Ao contrário, uma ótima opção é adotar um animal adulto – acima de um ano para cães e de seis meses para gatos, o amor será igual e os futuros dias felizes também. Há quase um mês a Anne Chaves e o namorado estão vivendo essa experiência com o Jack, que de acordo com ela “em tão pouco tempo já roubou nossos corações”. Leiam abaixo a história deles.

39409316_1601470136630116_1740465200974266368_n“Eu e meu namorado moramos juntos e gostamos muito de animais, qualquer tipo, e surgiu a vontade de ter um cachorro. Procuramos as ONG’s que acolhem animais para ir pesquisando. Uma amiga, Caroline Moura, é voluntária na AATAN e ela me falou do Jack. Ela tirava fotos com ele para campanhas online afim de encontrar uma família para ele. Quanto mais eu via fotos dele, mais me apaixonava”. Eles não sabiam muito sobre a história dele, apenas que tinha chegado no abrigo esse ano. “Suspeito que tenha sido abandonado, pelo comportamento dele ser bem carinhoso, ele não demonstra ter medo de pessoas ou de outros animais, é bem dócil”.

Eles resolveram manter o nome que ele tinha no abrigo, Jack. “Achamos que ele já estaria se adaptando a um novo ambiente, novas pessoas, por quê faze-lo se adaptar a um nome novo também? É muita coisa para eles processarem.” E ele é, oficialmente, o primeiro cachorro deles – que já puderam viver com outros bichos quando moravam com os pais. “Eu já tive vários cães quando era criança e adolescente, sem contar as aves e peixes. Meu namorado teve um cachorro quando morava com os pais. No momento nós temos dois hamsters, nos quais o Jack até agora tem se dado bem, curioso, porém nunca agressivo. Mas considerando que o Jack é o primeiro animal desse porte que eu e meu namorado pegamos para cuidar sem auxílio dos nossos pais, como foi na infância e na adolescência, acho que podemos dizer que é nosso primeiro cachorro”.

E no momento que decidiram adotar, eles fizeram a coisa mais importante e que muitas pessoas só pensam depois: avaliar as finanças para ter certeza que seria possível. “Analisamos financeiramente, pois uma vida requer cuidados, alimentação adequada, veterinário, vacinas e tudo mais. Nos informamos sobre as regras do condomínio em que moramos sobre animais de estimação. Na casa em si tiramos todos os objetos que pudessem ficar ao alcance dele e trazer algum mal. Só depois da adoção compramos potinho, brinquedinho, justamente para ir testando o que ele gosta. Meu pai deu uma caminha para ele também. Separamos um lugarzinho para ele ficar conosco durante a noite. Também acredito ser importante pensar na rotina, como vivemos em apartamento, é um ambiente fechado sem muito espaço, então planejamos que ele passearia com frequência, no caso, o Jack passeia duas vezes por dia”.

Sobre o fato do Jack ser um cão adulto, a Anne disse que inicialmente eles tinham um “molde” também. “Queríamos uma fêmea filhote, porém quando conhecemos os outros cachorrinhos adultos acabamos nos apaixonando e o Jack foi a gota d’água, nossos corações não poderiam dizer não. Mas se você analisar isso de forma mais técnica, também há vantagens. Por exemplo, como moramos em apartamento não podíamos pegar um cachorro muito grande, e um filhote não tem como saber o tamanho que ficará, por ser SRD. O temperamento/personalidade também já está construído. Ou seja, você tem uma ideia do cachorro que está levando para casa, e se ele se encaixa na sua rotina e casa/apartamento”. Outro ponto positivo para a adoção de bichos adultos e que surpreendeu a Anne e o namorado é que Jack só faz as necessidades na rua. “Esperávamos que ele seria mais difícil de se adaptar a essas coisas, ou a tapetes higiênicos. Mas o Jack é bem tranquilo, carinhoso, não late, fica na dele, e faz tudo na rua”.

Jack na casa nova

Quando pergunto se eles já passaram por alguma situação curiosa ou inusitada ela diz que conta sobre um dia que por um segundo esqueceram que havia um cachorro em casa. “Deixamos um hambúrguer em cima da cama sem supervisão, quando voltamos no quarto o Jack estava com a boca no hambúrguer. Na hora demos bronca, pegamos o hambúrguer dele, pois acreditamos que não seja saudável que ele coma esse tipo de comida, mas depois rimos muito da situação. É como ter uma criança nova em casa, a gente tem que se adaptar e educar“. E Jack de bobo não tem nada. Algumas coisas não mudam, sejam filhotes ou adultos. ❤ ❤ ❤

Nina, uma cachorrinha cheia de personalidade

A história da Daiandra Fernandes e da Nina começou no dia 02 de março com um telefonema um tanto alarmante, eu diria. “Uma moça chamada Aline, que me conhecia porque sou voluntária na ONG de proteção da nossa cidade, estava chegando do trabalho quando viu uma cadela ser atropelada. Juntou ela do asfalto, levou para casa e me ligou pedindo ajuda para levá-la ao veterinário. Saí de casa, peguei a cadelinha e fui até a cidade vizinha no plantão veterinário. Nina ficou 30 dias internada e durante esse tempo tentamos localizar seus antigos tutores. Nunca descobrimos quem eram, se é que existiam. Depois que recebeu alta foi para a minha casa na condição de lar temporário. Bastaram alguns minutos para perceber que nunca mais me separaria dela.”

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Hoje faz pouco mais de um ano que estão juntas e Nina se juntou à turma de bichos que a Dai já tinha em casa antes dela chegar. “Minha casa sempre foi cheia de cães, todos adotados também. Quando ela chegou, tínhamos outros 7 cães e todos a aceitaram e vice-versa. Hoje em dia eles brigam e se provocam uma vez ou outra, geralmente por culpa da própria Nina que quer comer a comida de todo mundo.”

Como resultado do acidente Nina ficou paraplégica e como bem sabemos, infelizmente, a maioria dos adotantes teria receio de levá-la para casa. Porém, a moça que viu o acidente ligou para a pessoa certa ❤ “Nina é uma vira-lata de porte médio, ou seja, já pertencia a uma categoria de animais que poucos adotam. Ela se tornar paraplégica dificultaria em muito as coisas. Já tínhamos outros sete cães em casa, a maioria idoso ou com algum problema de saúde, mas ela nos conquistou! A família toda se uniu para receber bem a nova moradora, até mesmo os outros peludos. Foi um período de muito aprendizado, ela precisava de cuidados especiais e até hoje estamos conhecendo melhor o que ela pode e não pode fazer, mas em geral ela leva a vida normalmente. Os maiores cuidados que precisamos ter consistem em estimular bexiga e intestino algumas vezes ao dia, carregá-la no colo em algumas situações, não deixá-la sem o carro de rodas em determinados lugares para evitar escoriações e, claro, tirar os calçados do alcance dela: um dos passatempos preferidos é mordê-los!”

Nina e alguns dos irmãos

A Dai contou ainda que ela e a família nem tiverem muito tempo para se preparar para receber a Nina. “Ela não tinha para onde ir, levei-a para casa, era para ser temporário e eu sequer sabia quais eram as reais necessidades dela. De início, antes do carro chegar, compramos um tapete emborrachado para ela conseguir se firmar melhor no chão. Ela ainda não tinha desenvolvido suficientemente o peito e patas dianteiras e resvalava muito no chão da casa. Hoje ela não precisa mais. Cogitamos colocar rampas em alguns pequenos degraus que temos na casa e jardim, mas ela evoluiu tanto que, com ou sem o carro, consegue ir a todo lugar.” E foi fácil encontrar uma cadeira/carro com rodas para ela? Ela se adaptou bem? “Para minha sorte, alguns meses antes eu havia visto uma gata resgatada por uma ONG da região e ela precisava de um carrinho, pois era paraplégica. Resolvi fazer a doação do carrinho e os voluntários me passaram os dados do fabricante para eu fazer o pagamento. Falaram também que aqueles carros eram os mais leves e de mais fácil adaptação que tinham visto. Mal sabia eu que algum tempo depois aquela informação seria muito útil. Depois do diagnóstico definitivo, entrei em contato com o fabricante que me passou todos as instruções para tirar as medidas da Nina e encaminhar a ele. Alguns dias mais tarde o carrinho chegou pelo correio e meu pai o montou. Ele foi adquirido graças a doações de várias pessoas que se sensibilizaram com o caso dela e o fabricante também fez um preço especial por ela ser um animal carente. A adaptação foi muito rápida. No mesmo dia já a colocamos no carro e ela saiu correndo.

Como dá para perceber, a maior limitação está na cabeça das pessoas que nem cogitam adotar um bicho com necessidades especias. “Ela é uma peça! Cheia de personalidade, sempre consegue o que quer. A evolução dela nesse ano conosco foi incrível. Tornou-se muito forte e é mais rápida do que todos os outros cães da nossa casa (com ou sem o carro). Algo curioso sobre o caso dela é sua memória muscular nas perninhas. Pelos seus exames, ela não poderia ter movimento nenhum, mas ela tem! Quando se locomove de carro, dá passos com as patas traseiras. Ela não sente as patinhas, mas por memória muscular ela as movimenta. O carro se tornou a melhor fisioterapia! Sem o carro, quando está no jardim, consegue se sustentar em pé por alguns segundos e até dar uns dois passos, mas logo cai novamente. Parece pouco, mas faz toda a diferença, tanto é que tem um ótimo tônus muscular nas pernas.”

Imagino que por conta do carro ela atraia alguns olhares curiosos. Quando sai com ela as pessoas fazem perguntas? “Ela fica mais em casa, mas prefere passar a maior parte do tempo no jardim correndo atrás de tudo e todos que passam na calçada. É lá que ela corre uma verdadeira maratona todos os dias. Tem bastante espaço para se locomover. Quando cansa ou bate a fome, vai sozinha para dentro de casa, onde preferimos deixá-la sem o carro. Ela fica mais à vontade, porque com ele acaba batendo muito nos móveis e atropelando os irmãos. Eventualmente saímos passear na rua e ela sempre atrai olhares e perguntas, geralmente querendo saber o que aconteceu com ela. Em geral todos acham ela muito simpática. A única vez que não me senti bem foi quando uma senhora a viu e falou para a criança que a acompanhava: “coitadinha, ela é doente!”. Aquilo me fez pensar em quantas pessoas em cadeiras de rodas passam pelo mesmo preconceito todos os dias. Paraplegia não é doença! E que sorte da Nina encontrar uma pessoa que pense assim! ❤ ❤ ❤

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Cindy, uma cachorrinha sapeca e muito amada

A Fernanda Nogueira mora sozinha há pouco mais de um ano e por sentir falta de uma companhia ela resolveu adotar um gatinho. E como muitas das histórias que vocês me contam aqui, quando ela já estava pensando mais seriamente na adoção ela encontrou a Ziggy no estacionamento do lugar onde trabalhava. Abaixo a história dela, com começo e recomeço com bichos muito especiais – primeiro, uma gatinha e depois com uma cachorrinha.

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Ziggy e Zacharias

Ela era muito filhotinha e eu não pensei duas vezes antes de levar pra casa. Ela era meu xodózinho. Quando ela tinha uns 6 meses eu adotei um segundo gatinho, o Zacharias. Ele era apaixonado na Ziggy e até mamava nela. A Ziggy infelizmente morreu no dia 02 de janeiro desse ano, ela saiu de casa no dia 1, por conta da movimentação que estava em casa. Como eu sempre tomava cuidado, ela não era acostumada a sair. Por um acidente ela foi atropelada.”

Eu não consigo nem imaginar o choque e a tristeza da Fernanda, que obviamente ficou muito mal. “Eu me sentia culpada. Fiz até uma tatuagem em homenagem a ela. Acabei ficando na casa da minha mãe uns dias, e levei o Zacharias comigo. Ele se apegou com os gatos da minha mãe e ficou por lá; e de novo eu fiquei sozinha em casa. Eu queria abrigar outro bichinho, mas ainda me sentia despreparada depois do que aconteceu com a Ziggy. E foi quando eu encontrei a Cindy.”

Como escrevi no começo do texto, muitas pessoas já me contaram que quando estão pensando em pegar um bichinho, eles aparecem. Não sei se é coincidência, mas tenho a impressão que nós sempre encontramos o gato ou cachorro que é mesmo para ser nosso. Mas voltando à história da Fernanda. Depois que a gatinha Ziggy morreu ela entrou em alguns grupos de adoção no Facebook, mas ficava sempre naquela ideia de que a hora que for para ser ela iria sentir. E ela isso aconteceu. “Quando eu vi a Cindy eu me apaixonei. Ela era pequenininha, com os pais de porte pequeno e pensei que poderia ser uma boa ideia. Conversei com minha mãe e ela disse para eu pensar bem e seguir meu coração. Foi quando eu fui falar com a menina que estava doando e ela começou a fazer perguntas, se eu já tinha cachorro em casa, essas coisas. Daí então ela me explicou, que a Cindy tinha nascido com uma deficiência, ela tinha a patinha atrofiada. A moça me contou que já tinha doado ela, mas que os cães da outra família não aceitaram. Quando eu soube que a Cindy tinha uma deficiência, eu percebi que era ela! Eu tinha todo o amor pra dar para aquele bebezinho.” ❤️ ❤️ ❤️ Percebem o que eu disse? A Fernanda e a Cindy tinham que se encontrar e já faz um pouco mais de seis meses que estão juntas.

E como foi a escolha do nome Cindy? “O nome da Ziggy eu tinha escolhido por causa de uma música, Ziggy Stardust, em homenagem ao David Bowie. Com a Cindy eu queria fazer algo parecido. Foi quando o irmão de uma amiga, sem nem saber disso, sugeriu Cindy e eu achei perfeito, seria em homenagem à cantora Cindy Lauper.” Para recebê-la a Fernanda comprou brinquedinhos, caminha, ração, tudo especial para ela. “Antes mesmo de chegar em casa já mandei fazer coleirinha especial com o nome dela e meu telefone. Depois que eu entrei nos grupos de adoção eu percebi como era importante ter a identificação, pois muitos bichinhos apareciam perdidos, desesperados pelos donos.”

Nesse meio tempo o gatinho Zacharias havia voltado para a casa dela e a Fernanda teve que separar os espaços, para que nenhum dos dois ficassem acuados. Quando pergunto como está sendo a adaptação e o convívio de todos a Fernanda diz que a Cindy já comeu até o cartão de débito e o óculos de grau dela! “Cachorro eu só tive na casa da minha mãe, eles não eram “os meus bichinhos”, não era exatamente responsabilidade minha. E cuidar de cachorro é completamente diferente que cuidar de gato. Tanto que eles não se adaptaram bem. Como o Zacharias já era acostumado com minha mãe acabei deixando com ela, com meu coraçãozinho apertado, confesso. A adaptação com a Cindy é difícil. Ela já comeu minha casa inteira. Mas eu não fico brava, sei que ela só quer brincar, e tento sempre cuidar para que acidentes assim não aconteçam. Por mais bagunceira que ela seja, nada me faz mais feliz do que chegar em casa e ela pular em cima de mim toda animada e feliz. Eu amo demais essa bichinha!

Tem que ter muito amor e paciência, né não? E com eles a gente sempre tem! Sobre curiosidades ou situações inesperadas ela conta que “a Cindy é SRD, vira-lata, a mãe dela era uma poodle e o pai um pinscher. Mas ela não saiu parecendo com nenhum dos dois. Pelo contrário, ela parece filhote de labrador. Toda vez que eu saio com ela alguém me pergunta se é labrador. Eu moro em uma casa pequena então, apesar de amar muito, eu nunca poderia ter um labrador. Eu cheguei até a conversar com a menina que tinha me doado, pedindo fotos para comprovar que ela era de porte pequeno e não um labrador. Outras situações que eu passo sempre é em decorrência da deficiência dela. Sempre me param, perguntam o que foi na patinha dela e eu tenho que explicar que ela nasceu assim. Muita gente sente pena, mas na verdade, a Cindy não sofre nada por isso, ela é uma doguinha como qualquer outra, feliz, sapeca, que corre, brinca e é muito amada.”

Fernanda e Cindy

Yuki, um gatinho muito especial

Adotar um bicho especial não é para todo mundo. E ok, muitos se preocupam com os cuidados extras e tem receio de como seria essa nova dinâmica. O fato é que todos merecem uma chance e cuidar de um bicho com necessidades especiais pode ser bem mais tranquilo do que imaginamos. A Adriana França contou para o Manual que adotou o gatinho Yuki há pouco mais de três meses justamente por conta da situação dele.

 

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Yuki e Adriana

“Já tinha três gatos e não tinha planos de adotar mais. Conversamos e tomamos uma decisão familiar de adotar o Yuki em função da situação dele (surdo e FELV*). Esse foi o principal motivo para adotá-lo. Ao percebermos que era surdo achamos melhor que ele ficasse conosco até que encontrássemos um adotante. Levamos à veterinária para verificar a saúde em geral e vaciná-lo. Quando recebemos o resultado positivo para a FELV conversamos e decidimos adotá-lo, pois sabíamos que seria muito difícil ele encontrar outra família e que suas chances de sobrevivência nas ruas seriam praticamente nulas. Conversamos com a veterinária e mesmo sabendo que a vacina contra a FELV não é 100% eficaz, o que traria um certo risco para nossos gatos, resolvemos dar uma chance a ele.”

O acaso foi amigo do Yuki no encontro com a Adriana e o levou à família certa. “Ele chegou até mim, veio correndo na minha direção e miando muito, na garagem do meu prédio. Estava sujo e daí resolvi juntamente com minha filha levá-lo para casa para dar comida e água. Fiquei com receio de deixá-lo na garagem para buscar comida e dai não encontrá-lo mais.” ❤ ❤ ❤

 

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Nova casa e uma nova história para o Yuki

Bom, com outros três gatos em casa, como foi a adaptação dele? E os cuidados no dia-a-dia? “Logo que chegou deixamos o Yuki isolado dos outros gatos pois não sabíamos se ele tinha pulgas ou alguma doença contagiosa. Após o diagnóstico da FELV ele continuou isolado por 42 dias para que fosse efetivada a imunização dos outros gatos (todos foram vacinados com a quíntupla e tomaram a 2a dose 21 dias depois). Não houve muito preparo, apenas uma caixinha de areia, comida, água, alguns brinquedos (desnecessário porque qualquer tampa de caneta já é motivo de festa) e uma caminha para dormir (que ele não quase usa por que gosta de dormir sobre a tábua de passar roupa). Neste período ele ficou isolado na área de serviço do apartamento (pequeno banheiro, quarto e lavanderia).

A adaptação dele tem sido como a dos demais. No inicio houve uma certa briga por liderança (já que ele é o único que ainda não foi castrado) mas já estão convivendo bem. Brincam muito e Yuki já está se adaptando à rotina dos outros gatos. Como ele é o mais novo é muito ativo e adora brincar, então de uma maneira geral é mais energético que os demais. Pula em cima de tudo, adora derrubar coisas. Cuidar dele não é diferente de cuidar de um gato sem FELV, ele é bem saudável e ativo. O único cuidado é garantir uma boa alimentação e um bom ambiente para que ele não se sinta estressado.”

Yuki é um nome diferente, mas combina tanto com a carinha dele, qual o significado? “O nome foi escolhido pela minha filha, com base em uma gatinha branca de um desenho Japonês (quando ele chegou não sabíamos que era macho).  Yuki significa “neve” e “felicidade“. Quando descobrimos o sexo achamos que o nome combinava mesmo sendo macho, dai decidimos manter.”

E até aqui algum curiosidade? “Ele detesta que a gente faça carinho na barriga. Fica rosnando e resmungando. Achamos super divertido dai sempre fazemos só para ouvir os resmungos.”

Ao final, quando agradeci a Adriana por ter contado a história deles, ela respondeu algo que vale para todos os bichos, com ou sem necessidades especiais. “Somos muito apaixonados pelos nossos gatinhos, todos são parte da família e nos fazem muito felizes.” E é isso que importa.

 

 

*FELV – é como é conhecida a leucemia felina. Encontrei um conteúdo bem explicativo no site do Estadão sobre o assunto e vale a pena a leitura para conhecer mais a respeito. Clique aqui para ler > Leucemia Felina: o que você deve saber sobre essa doença

 

Farofa e seus filhotes

Um bicho novo em casa já pode ser bastante, imaginem só 8 filhotinhos! A Adrielle Bachega se viu com a casa cheia e uma nova mamãe que estranhava os bebês. “A Farofa não queria amamentar e ela estranhava os filhotes marrons, a ponto de rosnar para eles nos primeiros dias. São cinco filhotes machos e três fêmeas, um macho morreu no segundo dia de vida. A Farofa teve dificuldade para se adaptar aos filhotes, só amamentava quando eu estava por perto conversando com ela. Por isso, desmamamos os filhotes cedo, e todos foram adotados por amigos próximos. Sempre tenho notícias dos filhotinhos e estão todos lindos e muito espertos.”

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Farofa e seus filhotes ❤

A Farofa, uma labrador retriever de 3 anos, não ficou grávida de surpresa – porém, foi mais rápido do que a Adrielle esperava. “Colocamos a Farofa para cruzar, mas não ficamos esperando muita coisa, porque ela só cruzou uma vez e quis ir embora da casa do namorado, então nem colocamos fé. Quando percebemos ela estava com as tetas cheias. Sempre tivemos cachorros, mas fazia muito tempo que não lidávamos com uma ninhada grande assim. Como aqui faz muito calor, ela fez um buraco na terra e pariu o primeiro filhote lá. Depois a prendemos em uma despensa e ficamos monitorando.”

Em relação aos cuidados com a Farofa e os filhotes, a Adrielle buscou dicas na internet, especialmente no grupo do Facebook – Labradores do Brasil. “Também fui confiando no instinto de mãe da Farofa para cuidar dela, conversar e deixá-la o mais à vontade possível. Para ela demos aquele Mammy Dog*, ajudou muito com a lactação e com a nutrição também. Já com os filhotes, eles começaram a fuçar a ração da Farofa desde que conseguiam andar um pouquinho, mas tirávamos ao máximo. Com o Thor, que ficou em casa, já vacinamos e vermifugamos, a Farofa também tomou medicações pra vermes e suplementos para não ficar muito debilitada.”

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Thor, filhotinho da Farofa

Agora, com filhotes doados e mamãe bem cuidada, a casa da Adrielle continua cheia. “Ficamos com apenas um dos filhotes, o Thor. Estamos com a Farofa, de quase 3 anos, a Rasteirinha e o Ameia que são irmãos. E ainda tem o Canjica, que mora na casa do meu noivo, a 100 km da minha casa. Mas eles se adoram e sempre que se encontram é uma festa. O Canjica morde o rabo da Farofa, a bochecha, a Farofa corre atrás dele, brinca e é sempre muito agradável.” Que coisa boa essa cachorrada que forma uma turminha de amigos, né? Quando perguntamos quem veio primeiro, a Adrielle disse que foi a Farofa. “Em outubro de 2015 ela chegou na minha vida com menos de 45 dias, toda mimosa e me ganhou de pronto. Já o Canjica foi uma história engraçada, pois minha cachorrinha SRD tinha abortado os filhotes e estava com depressão, então para deixá-la mais contente, arrumamos uns filhotes para ela amamentar. Uma amiga nossa estava com uma ninhada de cachorros pequenos em casa e nos doou dois pra ficar com a Rasteirinha. Um deles, a mãe da minha cunhada adotou e o Canjica ficou conosco. Ele era muito pequeno e frágil, mas hoje é um garotão lindo e animado. Quando ele era bebê, ele era tão estranho e desengonçado que chamávamos ele de ‘Cemorreu’, porque toda hora parecia que ele tava meio morto dormindo no chão.”

Ao final, perguntamos que dicas a Adrielle daria para alguém que possa passar por essa mesma situação e a resposta não poderia ser melhor. “Ahhh acho que muito amor, carinho, dedicação e confiar na intuição. Observar com cuidado os sinais dos nossos petfilhos 😍😍

Ah, eu queria comentar que nesse meio tempo a Rasteirinha pariu de novo, mas os filhotes não vingaram. Foi muito triste que um deles morreu em uma noite de muito frio, em que ela não aceitou ficar em um lugar quentinho com ele e ele veio a óbito. Ela chorava com ele na boca, foi muito tocante. 😢 mas a Rasteirinha meio que adotou o Thor e dorme embolada com ele. Agora ela está melhor, mais animada e tranquila.” Um final feliz para essa grande família canina! Que bom!

 

Abaixo, a descrição do suplemento Mammy Dog, que a Adrielle comentou.

DESCRIÇÃO: Mammy é um suplemento vitamínico, mineral, proteico, aminoácido, indicado para cadelas em gestação ou lactação contendo aminoácidos essenciais dentro do conceito de proteína ideal.
INDICAÇÃO: O Mammy é um produto com alto teor de proteína digestível, indicado para a suplementação de fêmeas na fase de lactação. Composto por aminoácidos de alta digestibilidade e valor biológico, associados a probióticos, contém a combinação equilibrada de nutrientes para animais durante a lactação, fase crítica da criação.
PRINCIPAIS VANTAGENS: Rico em proteína digestível, cálcio, fósforo e outros nutrientes necessários à reposição orgânica da fêmea desgastada pela gestação e pelo parto, o Mammy fornece os aminoácidos para formação da proteína do leite (caseína e lactoalbuminas), minerais Ca e P, hexoses essenciais à formação da lactose, proporcionando leite com melhores características para alimentar os filhotes. Mammy proporciona às fêmeas em gestação condições para a geração de filhotes saudáveis e fortes, complementando a dieta com aminoácidos essenciais, como a lisina, metionina, treonina, triptofano, entre outros. A presença de probióticos melhora as condições de saúde intestinal, diminuindo a presença de microorganismos indesejáveis e evitando a presença de aminas biogênicas, gases e toxinas intestinais. O probiótico possibilita maior digestibilidade e disponibilidade de nutrientes, com conseqüente melhor desenvolvimento dos fetos na fêmea em gestação e maior aporte de energia e proteína para a produção de leite.
COMPOSIÇÃO BÁSICA: Proteína texturizada de soja, flavorizante, prolina, tirosina, glicina, triptofano, treonina, dextrose, lisina, leucina, serina, valina, metionina, arginina, cloreto de colina pó, fosfato bicalcico, cistina, histidina e isoleucina.

Uma esperada e desejada Flor

“Ter filhotes em casa requer compromisso, atenção e muita paciência. Eles são a coisa mais linda e fofa, mas vêm acompanhados de muita energia, de choro por atenção, xixi e cocô sem coordenação e a mordida é de matar. Quer pular essa fase, adote a partir dos 6 ou 7 meses, ainda são bebês, mas começam a entrar na fase mocinhos. Ah! Se você acha que com 6 ou 7 meses ou mesmo 1 ou 2 anos eles não vão se acostumar com você ou lhe amar, está bem enganado.”

Quando vi esse texto em um post no perfil da Flor, sabia que teria que falar com sua humana, a Julianne Mariano. A maioria das pessoas quer ter um filhotinho, seja de cachorro ou gato, mas nem sempre leva em conta que como todo bebê eles dão um certo trabalho e é cansativo mesmo – temos que ensinar tudo para eles. Isso depois deles chegarem, porque mesmo antes da vinda de um novo membro da família é preciso ponderar e levar alguns fatores em consideração, assim como fez a Julianne. “Nossa Flor foi simplesmente muito desejada e esperada, foram meses de procura, certa angústia, queríamos muito, mas sempre pesava o financeiro, animais precisam de vacina, remédios, consultas, ração e precisamos estar preparados.”

A Julianne contou muito mais coisas interessantes a respeito de como é ter um #bichonovoemcasa e que para lidar com todo esse desafio é preciso informação e bom humor. E no caso da Flor de Panetone (sim, este é o nome completo dela), desde o começo ela já chegou de uma forma um pouco inusitada. “A encontramos no improvável, no aplicativo da OLX, um dos maiores sites de vendas de animais também possuem muitos casos de adoção, vale super a pena pesquisar, e nas nossas inúmeras buscas recebemos um email do site estimulando as adoções, achei simplesmente maravilhoso isso. Entramos em contato, conversamos um pouco, perfil aprovado, fomos buscar Panetone, nos seis meses de busca esse era o nome de nosso filhote, Panetone, porque nós amamos muito panetones, mas nos deparamos com uma fêmea de carinha doce e meiga de uma flor, assim nasceu o nome Flor de Panetone.

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A doce Flor de Panetone

Em relação à adaptação da Flor, ela diz que foi surpreendente e que ela já chegou dona da casa, mas diz também que foi um turbilhão de novas experiências, as quais ela não estava totalmente preparada. “Tenho outra cachorrinha que se chama Kate, a adotei quando ela tinha cerca de 7 meses, quando me casei e me mudei para um kitnet ela continuou morando com meus pais e irmãos, sentia a falta dela, mas hoje já em nova casa e podendo recebê-la vi o quanto ela sente falta do movimento e da companhia de meus pais, ela está melhor com eles e fico imensamente feliz por eles. Quando sentimos falta ela vem passar uns dias conosco, matamos a saudade, dou banho, faço as avaliações médicas (coisa de mãe) e ela volta super feliz para casa, Kate está com 11 anos.

E foi justamente para compartilhar todas essas novidades e experiências que a Julianne criou um perfil no Instagram para a Flor. “O @criandoumaflor surgiu exatamente com intuito de mostrar como é criar um filhote tão novinho, minha experiência com Kate aos 7 meses não me preparou muito para Flor, Kate não me deu um terço do trabalho que a pequena Flor me dá, e me fez refletir muito sobre a adoção de cães jovens, adultos e idosos. Filhotes são pelo menos 90% das buscas das pessoas, eu sei porque foi a minha, minha esposa queria um filhote, eu sabia que dava trabalho, mas vivenciar isso nos faz refletir que pessoas não preparadas e desorganizadas adotam filhotes por serem fofinhos, mas o trabalho, as mordidas, o cocô, o xixi, a bagunça, o barulho e a destruição faz com que cachorros sejam maltratados e abandonados. Além de mostrar as aventuras de se ter e criar um filhote, espero que o perfil possa servir também de informação para novos papais e mamães. E posso dizer que assim como filhos, não importa a idade que eles tenham, com amor eles vão sempre ser os seus filhotes.”

Quando pergunto para a Julianne se ela tinha passado por alguma situação inesperada ou curiosidade com a Flor, ela nos passou uma listinha de experiências engraçadas e aprendizados. Vejam abaixo:

1) Aprendemos que filhotes mais novinhos tem mais propensão a verme, eu sei porque tivemos a experiência a olho nu.
2) Aprendemos que só existe um remédio de carrapatos no mercado que atenda animais com menos de um 1kg e ele não é barato. Valeu Frontline!
3) Aprendemos na literatura da internet que chá de camomila serve como repelentes de carrapatos, mas que não é nada legal vê-los pela casa.Valeu de novo Frontline!
4) Ainda sobre a literatura da internet que ensina a ignorarmos nossos filhotes às 4:00 da manhã quando estão pedindo desesperadamente atenção, mas não prevê que temos vizinhos e o desequilíbrio de nossos filhotes ao bater a cabeça nos móveis em seu desespero absoluto de pular para tentar subir na cama e alcançar suas mamães.
5) Aprendemos na bula do remédio que devemos levar o dog após as refeições para o lugar das necessidades fisiológicas e ficar brincando com ele até eles fazerem xixi e cocô no tapetinho, o que eles não falam é do grande risco do tapetinho virar brinquedoteca e de que todos os brinquedos serem arrastados para lá. Estamos perdendo feio para Flor no quesito: xixi e cocô no lugar certo. Essa foi a melhor.
6) Também aprendemos que nem nos nossos melhores sonhos iríamos encontrar uma paciência transcendental e um AMOR PURO E AVASSALADOR.
7) Aprendemos que aos 2 meses, cachorros já podem mostrar sua personalidade forte, dizer não pra ela é ouvir latidos em retribuição.

“Com apenas 25 dias conosco, Flor de Panetone já nos ensinou tanto, no meio do estresse diário ela é a calmaria, estamos abertos para o mundo de novas descobertas e desafios, quero saber como vai ser o encontro de Kate e Flor, primeiro passeio, castração, viagens e tudo o mais. Com paciência, bom humor e amor vamos vencendo, aprendendo e conquistando.”

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Flor – pequena no tamanho, mas gigante de amor