Mimi, uma gatinha japonesa

A Mimi é uma gatinha SRD de aproximadamente 06 anos que chegou na vida da Viviana meio que por acaso, por conta de uma regra bem interessante (e pouco comum) do lugar em que ela trabalhava. Leia a história delas abaixo que tem vários outros fatos curiosos a respeito da vida com bichos no Japão.

Screen Shot 2018-08-22 at 1.26.28 PMMB: Como começou a história de vocês?
VM: Um funcionário terceirizado em uma fábrica cliente, onde eu estava como assistente do responsável pelo setor, pegou um filhote do gato que rondava na região. A regra é que se você der comida ou pegar o gato que ronda o recinto, ou pega ou perde o emprego. Ele levou para casa, a esposa não gostou nem um pouco e disse para o responsável do setor que queria devolver. Como o próprio responsável já tinha pegado duas fêmeas, eu resolvi tomar responsabilidade por esse empregado.

MB: Há quanto tempo você mora no Japão?
VM: Moro há 7 anos.

MB: Em qual cidade vocês moram exatamente?
VM: Moro na Província de Kanagawa.

MB: Essa a primeira vez que você tem gato? Se sim, como está sendo a experiência?
VM: Não. Já tive gatos no Brasil.

MB: Até aqui alguma curiosidade ou situação inesperada?
VM: Na cidade de Yokohama onde morava, a prefeitura ressarce o valor pago pela castração de gatos de rua.

MB: Infelizmente no Brasil e em alguns lugares do mundo existe a má (e injusta) fama a respeito de gatos pretos. Você acha que essa também é a percepção no Japão? Tenho a impressão que eles gostam bastante de gatos.
VM: Não rsrs. No Japão acredita-se que gatos trazem boa sorte e fortuna.
De algo negativo, tem a lenda que se o gato viver muito, se torna “nekomata”, que é um monstro “youkai” do folclore japonês, mas creio que essa crença ficou esquecida na época do Edo e só é conhecida por gente que goste de histórias.

MB: Quais diferenças você nota em relação a vida com bichos no Brasil e no Japão? Veterinário, alimentação, etc.
VM: No Japão, por ser um arquipélago, a criação de bichos de estimação é vistoriada de forma rígida. Como por exemplo, cachorros que são considerados perigosos tem um chip que é monitorado pela prefeitura para que nenhum dono após o cadastro do animal na prefeitura possa abandonar na rua. Por outro lado, existe muita gente que compra animais (de qualquer espécie) e quando tem que se mudar a trabalho ou quando se enjoa, leva ao equivalente ao Centro de Zoonoses para sacrificar. Note que cada cidade tem sua lei. Mas a maioria proíbe com multa o abandono de qualquer animal ou resto de animais na rua. Existe cidade que proíbe o enterro. E o abandono de corpos de animais pode ser proibido pela lei penal (e nele não especifica a espécie do ser vivente). Os donos são obrigados a pagar pelo crematório. Somente no interior, no meio das montanhas ainda vemos animais sendo criados soltos comendo restos de comida e servindo de cão de guarda ou gato de caça. Em cidade grande, existem as que proíbem deixar o animal andar sem coleira, inclusive gatos.

MB: Há muitos animais abandonados no Japão? E se sim, existem ONGs e protetores independentes?
VM: Existem muitos animais sacrificados, e o problema que vem crescendo são os criadores de animais de raça ilegais que mantém seus animais de forma desumana e precária, que realizam cruzamento entre familiares de primeiro grau, criando filhotes doentes e deformados. Eu mesma conheci um gatinho fofo de 6 meses, que custou ¥300,000 (em torno de 9 mil reais) que após a primeira ida no médico, descobriu que estava com coração mal formado . O casal que comprou conseguiu ressarcimento da loja, mas a dor de perder um animalzinho tão querido em tão pouco tempo não tem preço! ONG no Japão é o que não falta. O país já foi império com muitos lords e aristocratas que viviam de “bem feitorias”, ainda existe pessoas que vivem de ações e aluguéis e que trabalham com ONGs e entidades de fins não lucrativos.

 

Mimi em dois momentos, quando chegou na casa da Viviana e hoje em dia ❤