A gatinha Antonella

A Gabriella Santos de Paiva já tinha a Sammy, uma cachorrinha SRD de 5 anos, quando a Antonella chegou em sua vida. “Eu queria muito uma gatinha, mas minha mãe não deixava pelo fato de morarmos em apartamento e já termos uma cachorra. Eu adotei a Antonella em um grupo de gatos do Facebook aqui da minha cidade, de início foi como lar temporário até que chegasse o aniversário da minha priminha, pois o gatinho dela havia morrido e ela estava muito tristinha querendo outro, mas quando chegou o dia de entregar pra ela, eu não consegui… já tinha me apegado! Daí fiquei com a Antonella e adotei outro gatinho e dei pra minha prima (ela o ama muito! E adorou surpresa)”.

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Antonella

Olha aí, mais uma vez as redes sociais ajudando os bichos a encontrarem um novo lar, seja temporário ou definitivo. Nem só de fake news é feita a internet. Leiam a história completa delas abaixo.

Hoje faz 07 meses que a Antonella se juntou à família da Gabriella, que a pegou com 35 dias, uma bebê ainda! Apesar de não ter muita experiência com gatos, ela diz que a preparação para recebê-la em casa foi tranquila. “Eu não tinha noção nenhuma de como cuidar de um gato, mas foi fácil… comprei caixinha de areia, ração e sachês para filhote.” Essa foi a preparação da casa, agora quanto à moradora mais antiga, a Sammy, já foi mais complicado, mas a Gabriella fez direitinho e deu certo. “O mais difícil foi a socialização com a minha cachorra, que por ser “filha única” e já ter 5 anos, foi um pouco “resistente”. Fui apresentando elas aos poucos, deixando em quartos separados. Dentro de 2 semanas o processo de socialização já estava completo e as duas brincando. Hoje não se largam e se amam muitão!!”

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Sammy e Antonella ❤ ❤

Minha dica é: tenha MUITA paciência, mas fique tranquilo porque no final dá tudo certo! No começo eu fiquei preocupada, pois a minha cachorra tentava “pegar” a gata. Então, eu assisti alguns vídeos no YouTube sobre socialização de cães e gatos, li algumas reportagens sobre o assunto e fui colocando em prática. Como, por exemplo, deixar elas em quartos separados nos primeiros dias, alternar elas de quartos para que se acostumem uma com o cheiro da outra, nos primeiros “encontros” delas esteja sempre junto, nunca force uma aproximação antes da hora, acontecerá naturalmente no tempo delas, no caso das minhas esse período durou 2 semanas, hoje são melhores amigas!” E essas dicas valem ouro hein! E dessa fez o Youtube dando uma mãozinha e que funcionou muito bem, eu mesma segui essas mesmas regras para adaptar meus dois gatos e funcionou também.

E como a Gabriella escolheu o nome dessa lindeza? “Eu tinha uma lista no meu bloco de notas com nomes que colocaria na minha filha quando tivesse hahaha e Antonella era um desses, daí decidi colocar esse nome na gata porque era o meu favorito.” Uma curiosidade a respeito da Antonella, “ela não bebe água no pote dela, só bebe água quando damos no copo (de gente) hahaha toda vez que vou até a cozinha beber água ela começa a miar pedindo pra eu dar o copo pra ela beber.”

Mimi, uma gatinha japonesa

A Mimi é uma gatinha SRD de aproximadamente 06 anos que chegou na vida da Viviana meio que por acaso, por conta de uma regra bem interessante (e pouco comum) do lugar em que ela trabalhava. Leia a história delas abaixo que tem vários outros fatos curiosos a respeito da vida com bichos no Japão.

Screen Shot 2018-08-22 at 1.26.28 PMMB: Como começou a história de vocês?
VM: Um funcionário terceirizado em uma fábrica cliente, onde eu estava como assistente do responsável pelo setor, pegou um filhote do gato que rondava na região. A regra é que se você der comida ou pegar o gato que ronda o recinto, ou pega ou perde o emprego. Ele levou para casa, a esposa não gostou nem um pouco e disse para o responsável do setor que queria devolver. Como o próprio responsável já tinha pegado duas fêmeas, eu resolvi tomar responsabilidade por esse empregado.

MB: Há quanto tempo você mora no Japão?
VM: Moro há 7 anos.

MB: Em qual cidade vocês moram exatamente?
VM: Moro na Província de Kanagawa.

MB: Essa a primeira vez que você tem gato? Se sim, como está sendo a experiência?
VM: Não. Já tive gatos no Brasil.

MB: Até aqui alguma curiosidade ou situação inesperada?
VM: Na cidade de Yokohama onde morava, a prefeitura ressarce o valor pago pela castração de gatos de rua.

MB: Infelizmente no Brasil e em alguns lugares do mundo existe a má (e injusta) fama a respeito de gatos pretos. Você acha que essa também é a percepção no Japão? Tenho a impressão que eles gostam bastante de gatos.
VM: Não rsrs. No Japão acredita-se que gatos trazem boa sorte e fortuna.
De algo negativo, tem a lenda que se o gato viver muito, se torna “nekomata”, que é um monstro “youkai” do folclore japonês, mas creio que essa crença ficou esquecida na época do Edo e só é conhecida por gente que goste de histórias.

MB: Quais diferenças você nota em relação a vida com bichos no Brasil e no Japão? Veterinário, alimentação, etc.
VM: No Japão, por ser um arquipélago, a criação de bichos de estimação é vistoriada de forma rígida. Como por exemplo, cachorros que são considerados perigosos tem um chip que é monitorado pela prefeitura para que nenhum dono após o cadastro do animal na prefeitura possa abandonar na rua. Por outro lado, existe muita gente que compra animais (de qualquer espécie) e quando tem que se mudar a trabalho ou quando se enjoa, leva ao equivalente ao Centro de Zoonoses para sacrificar. Note que cada cidade tem sua lei. Mas a maioria proíbe com multa o abandono de qualquer animal ou resto de animais na rua. Existe cidade que proíbe o enterro. E o abandono de corpos de animais pode ser proibido pela lei penal (e nele não especifica a espécie do ser vivente). Os donos são obrigados a pagar pelo crematório. Somente no interior, no meio das montanhas ainda vemos animais sendo criados soltos comendo restos de comida e servindo de cão de guarda ou gato de caça. Em cidade grande, existem as que proíbem deixar o animal andar sem coleira, inclusive gatos.

MB: Há muitos animais abandonados no Japão? E se sim, existem ONGs e protetores independentes?
VM: Existem muitos animais sacrificados, e o problema que vem crescendo são os criadores de animais de raça ilegais que mantém seus animais de forma desumana e precária, que realizam cruzamento entre familiares de primeiro grau, criando filhotes doentes e deformados. Eu mesma conheci um gatinho fofo de 6 meses, que custou ¥300,000 (em torno de 9 mil reais) que após a primeira ida no médico, descobriu que estava com coração mal formado . O casal que comprou conseguiu ressarcimento da loja, mas a dor de perder um animalzinho tão querido em tão pouco tempo não tem preço! ONG no Japão é o que não falta. O país já foi império com muitos lords e aristocratas que viviam de “bem feitorias”, ainda existe pessoas que vivem de ações e aluguéis e que trabalham com ONGs e entidades de fins não lucrativos.

 

Mimi em dois momentos, quando chegou na casa da Viviana e hoje em dia ❤

Yuki, um gatinho muito especial

Adotar um bicho especial não é para todo mundo. E ok, muitos se preocupam com os cuidados extras e tem receio de como seria essa nova dinâmica. O fato é que todos merecem uma chance e cuidar de um bicho com necessidades especiais pode ser bem mais tranquilo do que imaginamos. A Adriana França contou para o Manual que adotou o gatinho Yuki há pouco mais de três meses justamente por conta da situação dele.

 

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Yuki e Adriana

“Já tinha três gatos e não tinha planos de adotar mais. Conversamos e tomamos uma decisão familiar de adotar o Yuki em função da situação dele (surdo e FELV*). Esse foi o principal motivo para adotá-lo. Ao percebermos que era surdo achamos melhor que ele ficasse conosco até que encontrássemos um adotante. Levamos à veterinária para verificar a saúde em geral e vaciná-lo. Quando recebemos o resultado positivo para a FELV conversamos e decidimos adotá-lo, pois sabíamos que seria muito difícil ele encontrar outra família e que suas chances de sobrevivência nas ruas seriam praticamente nulas. Conversamos com a veterinária e mesmo sabendo que a vacina contra a FELV não é 100% eficaz, o que traria um certo risco para nossos gatos, resolvemos dar uma chance a ele.”

O acaso foi amigo do Yuki no encontro com a Adriana e o levou à família certa. “Ele chegou até mim, veio correndo na minha direção e miando muito, na garagem do meu prédio. Estava sujo e daí resolvi juntamente com minha filha levá-lo para casa para dar comida e água. Fiquei com receio de deixá-lo na garagem para buscar comida e dai não encontrá-lo mais.” ❤ ❤ ❤

 

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Nova casa e uma nova história para o Yuki

Bom, com outros três gatos em casa, como foi a adaptação dele? E os cuidados no dia-a-dia? “Logo que chegou deixamos o Yuki isolado dos outros gatos pois não sabíamos se ele tinha pulgas ou alguma doença contagiosa. Após o diagnóstico da FELV ele continuou isolado por 42 dias para que fosse efetivada a imunização dos outros gatos (todos foram vacinados com a quíntupla e tomaram a 2a dose 21 dias depois). Não houve muito preparo, apenas uma caixinha de areia, comida, água, alguns brinquedos (desnecessário porque qualquer tampa de caneta já é motivo de festa) e uma caminha para dormir (que ele não quase usa por que gosta de dormir sobre a tábua de passar roupa). Neste período ele ficou isolado na área de serviço do apartamento (pequeno banheiro, quarto e lavanderia).

A adaptação dele tem sido como a dos demais. No inicio houve uma certa briga por liderança (já que ele é o único que ainda não foi castrado) mas já estão convivendo bem. Brincam muito e Yuki já está se adaptando à rotina dos outros gatos. Como ele é o mais novo é muito ativo e adora brincar, então de uma maneira geral é mais energético que os demais. Pula em cima de tudo, adora derrubar coisas. Cuidar dele não é diferente de cuidar de um gato sem FELV, ele é bem saudável e ativo. O único cuidado é garantir uma boa alimentação e um bom ambiente para que ele não se sinta estressado.”

Yuki é um nome diferente, mas combina tanto com a carinha dele, qual o significado? “O nome foi escolhido pela minha filha, com base em uma gatinha branca de um desenho Japonês (quando ele chegou não sabíamos que era macho).  Yuki significa “neve” e “felicidade“. Quando descobrimos o sexo achamos que o nome combinava mesmo sendo macho, dai decidimos manter.”

E até aqui algum curiosidade? “Ele detesta que a gente faça carinho na barriga. Fica rosnando e resmungando. Achamos super divertido dai sempre fazemos só para ouvir os resmungos.”

Ao final, quando agradeci a Adriana por ter contado a história deles, ela respondeu algo que vale para todos os bichos, com ou sem necessidades especiais. “Somos muito apaixonados pelos nossos gatinhos, todos são parte da família e nos fazem muito felizes.” E é isso que importa.

 

 

*FELV – é como é conhecida a leucemia felina. Encontrei um conteúdo bem explicativo no site do Estadão sobre o assunto e vale a pena a leitura para conhecer mais a respeito. Clique aqui para ler > Leucemia Felina: o que você deve saber sobre essa doença

 

Uma Gatinha na Áustria

A Sisi é uma gatinha 100% austríaca que há nove meses encontrou seu lar na casa de humanos brasileiros. A Nattasha Fernandes contou como foi esse encontro. Leia abaixo a entrevista.

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Sisi, a gatinha com nome de Imperatriz

MB: Onde vocês moram?
NF: Nós moramos em Viena, na Austria.

MB: Há quanto tempo você mora no novo país?
NF: Nós moramos aqui desde março de 2017.

MB: Essa a primeira vez que você tem gato? Se sim, como está sendo a experiência?
NF: Não é a primeira que temos gatos. Na casa da minha mãe no Brasil já tinha um gato e na casa da minha sogra um casal de gatos.

MB: Como começou a história de vocês?
NF: Eu e meu marido sempre tivemos gatos em nossas casas no Brasil e estávamos sentindo falta de um bichinho em casa, então como ambos gostamos muito de gatos resolvemos adotar um. Olhamos em vários sites de adoção aqui em Viena mas nesse meio tempo tivemos o contato de uma amiga próxima que tinha um conhecido que estava dando um gatinho da ninhada da gata dele e ele não podia ficar. No mesmo dia fomos lá buscar ela!

MB: Até aqui alguma curiosidade ou situação inesperada?
NF: Ela se adaptou bastante ao inverno (estávamos com medo dela ficar com frio no apartamento, pois o aquecedor não fica ligado 24h), ainda não sabemos como ela vai agir agora no verão, já que no nosso apartamento não temos ar condicionado e fica bem quente. Ela entrou no cio exatamente quando o clima começou a esquentar e depois lemos que o calor influenciava bastante no ciclo do cio. Ela é muito carinhosa e tem comportamentos mais parecidos com cachorro do que propriamente de gatos (ela recebe nossos convidados na porta) 🙂 e ela usa o xixi como forma de chamar atenção. Estamos tendo muita dificuldade com isso, pois ela tem feito xixi no sofá, no tapete, na cama.

MB: Quais diferenças você nota em relação a vida com bichos no Brasil e no país onde estão? Veterinário, alimentação, etc.
NF: Aqui os animais de estimação são tratados com muito carinho e respeito. Eles podem entrar em locais públicos, inclusive nos transportes públicos e restaurantes e nunca vi nenhum preconceito contra gato preto. Aqui é obrigatório o uso de chip em todos os animais.

 

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Sisi é uma gata carinhosa, mas que às vezes se comporta como um cachorro ❤

 

 

 

Um encontro com Arlindo, o gatinho

Imagine só a situação, você sai para passear e de repente encontra um gatinho pequenininho vindo na sua direção. O que você faz? No caso da Mariana Jacob, a resposta é simples: “estava passeando em um parque famoso na zona norte do Rio de Janeiro e acabei encontrando com ele. Ele veio na minha direção e não consegui deixar ele lá.

E assim começou a história da Mariana e do Arlindo ❤

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Arlindo, o gatinho de Madureira

E a história não para por aí, porque a Mariana já tem 7 cachorros e mais 5 gatos. E por que resolveu adotar mais um? “Na verdade não planejei adotá-los, a maioria foi resgatada e adotada da rua assim como o Arlindo. E já faz três meses que ele entrou para essa grande família. Como está sendo a experiência? E a adaptação dele com os outros bichos? “Ele não é um gatinho muito fácil, tem algumas brincadeiras agressivas e isso incomoda um pouco os outros gatos. Mas com os cachorros ele se deu muito bem, eles brincam bastante juntos. Ele já está bem mais calmo agora e está com o comportamento melhor em relação aos outros gatos.”

Como a Mariana encontrou o Arlindo no meio de um passeio e resolveu ficar com ele, não houve muito tempo para preparação, as coisas aconteceram meio que no improviso – e o importante é que isso não a desanimou. “Foi no susto pois sai para passear e voltei com um gato. Ele ficou isolado dos outros gatos e o único lugar que tinha para ele ficar era um viveiro de pássaros que tenho em casa. O viveiro era muito grande e ele era muito pequeno, então meu irmão dividiu o viveiro em andares e ele teve bastante espaço para brincar.” Como diz o ditado, quem quer dá um jeito e essa ideia do viveiro é bem criativa. Assim como o nome, que achei pouco comum e quis saber mais sobre como foi essa escolha. “Ele foi achado em Madureira, bairro que é tema de uma música muito famosa do cantor Arlindo Cruz, daí vem o nome dele.” Tá explicado!

Até aqui alguma curiosidade ou situação inesperada? “Só mesmo o fato dele gostar de morde, ele morde por brincadeira igual cachorro. E dicas para aqueles que já tenham algum bichinho em casa e pretende trazer mais um? “Minha dica é ter paciência, porque às vezes demora um pouco para eles se acostumarem.

Mariana, ele é muito lindo! Parabéns pela atitude de resgatá-lo! Muita felicidade para essa família de bichos que você tem!

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Arlindo, o gatinho que morde igual cachorro