Kinder, uma SRD no Uruguay

A Erica Matias adotou a Kinder filhotinha quando ainda estava na faculdade de Medicina Veterinária. Hoje com 8 oitos, a Kinder mora no Uruguay e a Erica conta que sente que ela é muito feliz lá “levo ela na praia ou na pracinha e solto pra ela correr à vontade.” Ela também dá várias dicas para quem pretende mudar de país e levar seu animal de estimação. Leiam a entrevista abaixo.

img_5125.pngMB: Como começou a história de vocês?
EM: Eu estava no 2o ano do curso de medicina veterinária no interior de São Paulo (Botucatu) e, como morava em uma república que tinha um quintal e jardim bem espaçosos, decidi que iria adotar um cãozinho. Como sempre morei no centro de SP, em apartamento e com a minha mãe, não tinha muito poder de decisão hehehe. Um certo dia, quando eu já havia decidido que iria ao CCZ adotar um ‘catioro’, uma de minhas melhores amigas chegou na aula dizendo que ela e a colega de apartamento tinham resgatado uma filhotinha da rua, mas que não iriam ficar com ela. Na hora já me ofereci pra adotar aquele pequeno saco de pulgas e vermes. hahaha

MB: Onde vocês moram?
EM: Atualmente, Montevideo/Uruguay

MB: Há quanto tempo moram no novo país?
EM: Há quase 7 meses.

MB: Como foi a mudança?
EM: O processo pré-mudança foi mais complicado que a mudança em si. Tive que chamar uma adestradora pra me ajudar a convencê-la de que a caixa de transporte não era um bicho de 7 cabeças. O problema é que eu entrei em contato com ela meio tarde, faltando so um mês e meio para a viagem. E eu ainda ia receber uma amiga de outro país e viajar com ela nesse meio tempo, então minha mãe fez as outras aulas pra mim – so que digamos que a didática dela não é das melhores hahahah No dia da viagem ela ficou bem estressada, mesmo com todo o treino e tomando Anizen * (homeopático), mas quando chegou aqui foi pura felicidade (e depois capotou até o dia seguinte hhahah). Eu sinto que ela tá muito mais feliz aqui porque temos qualidade de vida, é mais arborizado, mais tranquilo, menos poluído, menos barulho, menos carros, levo ela na praia ou na pracinha e solto pra ela correr à vontade.

MB: Alguma dificuldade? Em relação a documentação exigida ou mesmo pela viagem em si.
EM: Olha, não foi tão difícil porque vim para um país do Mercosul e, além disso, eu sou veterinária, então já sabia mais ou menos como proceder com as burocracias de todo o processo. Precisei imprimir e assinar um atestado (que baixei no próprio site da Vigiagro) comprovando que ela estava desparasitada (interna e externamente) há menos de 1 mês (não lembro exatamente o período mínimo pedido, cada país tem exigências diferentes com relação a isso. Não precisava de microchip nem sorologia de raiva para vir para o Uruguay. O que precisei fazer foi copiar a carteira de vacinação, tendo sido aplicada a  vacina anti-rábica há menos de 1 ano, e agendar um turno pelo telefone. Como demora 48h pra ficar pronto o atestado, e este tem validade de poucos dias (não lembro ao certo), o ideal é agendar poucos dias antes da viagem. Eu viajei numa quarta e peguei o atestado na segunda-feira, sendo que tinha agendado pra ir lá ( com a carteira de vacinação e o atestado de saúde) na sexta-feira anterior a viagem.

MB: Há muitos animais abandonados onde mora?
EM: Não muitos. O Uruguay é um país pequeno, com pouca gente e, consequentemente, poucos animais de rua. Digo, em comparação à Sao Paulo, por exemplo. E, claro, depende do bairro. Quanto mais periférico e/ou humilde, mas animais tem.

MB: Quais diferenças você nota em relação a vida com bichos no Brasil e no país onde estão? Pet shops, alimentação, etc..
EM: Bom, tudo é questão de adaptação né? Eu estava acostumada em ter ao menos 3 grandes petshops onde podia escolher dentre várias marcas e receber tudo rápido em casa (Petlove, Cobasi, Petz). Aqui tem poucas opções de lojas com todo tipo de produto pra cães. Geralmente so de ração, e não tem muitas opções de marca. Aração que a Kinder comia no Brasil e que deu super certo para a pele sensível dela foi a Natural, da Guabi – há mais de 3 anos ja estávamos com ela. Aqui, como não tem, tive que pesquisar marcas que usualmente não compraria no Brasil por serem mais caras (mas a qualidade é indiscutível, claro). Testei Eukanuba Senior, Biofresh adultos porte médio, e agora estamos com Proplan Sensitive Skin. Também tive dificuldade pra encontrar produtos pra pele, como shampoos terapêuticos, umectantes, sprays, além de vermífugo e anti-pulgas – acabou que trouxe uma coleira Seresto do Brasil e, quando vencer, vou começar a dar Bravecto pra ela. Vermífugo troquei o Drontal que não tem aqui por um da Konig, que é uma marca que conheço e confio.

MB: Alguma dica para aqueles que podem fazer a mesma mudança em breve?
EM: Pesquisem sobre o país para o qual irão se mudar com certa antecedência, para assim se planejar bem. Vejam as exigências das cias aéreas para transporte de animais, se há possibilidade dele ir na cabine, quais as dimensões que a caixa de transporte deve ter e, muito importante, CONSULTA VETERINÁRIA com ao menos 5 meses de antecedência caso vá pra países da Europa e América do Norte – imagino que para países asiáticos e da Oceania também! Atendi casos em que não pudemos embarcar com o cão porque a dona me procurou um mês antes da data da viagem, porém a União Europeia exige coisas que demoram meses – como a sorologia de raiva, por exemplo, que demora ao menos 1 mês pra sair e só pode ser feita em laboratórios autorizados (precisa verificar no site da Vigiagro, lá tem todas as informações para vários destinos). Além disso, alguns países exigem microchipagem antes da vacina de raiva (que tem que estar atualizada, sendo aplicada não menos de 1 mês nem mais de 1 ano antes da viagem). Enfim, são muitas exigências que às vezes não conseguimos cumprir os requisitos com um tempo apertado antes da viagem. Converse com seu veterinário meses antes da viagem, procure informação nas cias aéreas sobre o transporte (nos sites tem tudo e qualquer dúvida é so ligar pra eles), e comece a trabalhar o emocional do seu bichinho – entrar na caixa de transporte, ambientes movimentados, saber como ele reage estando dentro de um local que se move (deve ser muita doidera na cabeça deles hahah), etc.
Procure sempre ajuda especializada.

Kinder na torcida para seus dois países durante a Copa 🙂

 

*Veja abaixo do que se trata o remédio homeopático que a Erica deu para a Kinder.

Anizen Homeopatia Calmante Pet
– Indicado para cães e gatos;
– Para Pets nervosos, irritados, barulhentos e/ou agressivos;
– Auxilia no controle dos medos, distúrbios comportamentais e estresse.