Teddy, um Spitz Alemão na Alemanha

O Teddy é um Spitz Alemão de quase três anos que representa muito para a Kamila Xavier: um sonho, um presente, um filho. Eles agora moram na Alemanha há quase cinco meses e abaixo ela conta como foi a mudança, dá dicas bem interessantes para quem pensa em ir para Berlim e como está sendo a vida desse cachorrinho bagunceiro por lá, que aos poucos aprende a se comportar como um cãozinho alemão, afinal ele tem Alemão na raça, né?

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Teddy e Kamila em Berlim ❤

MB: Como começou a história de vocês?
KX: Ter um cãozinho sempre foi um sonho uma vez que morei grande parte da minha vida com meus pais e eles não queriam um cachorro. Mais ou menos 3 meses depois que me casei, ganhei o Teddy de presente do meu marido. Fomos juntos ao canil escolher e de cara me apaixonei por ele: o menorzinho, mais carente e mais manhoso dos filhotes que estavam lá. Meu sobrinho, na época com 2 anos, nos acompanhou na visita e vimos o carinho que ele também sentiu pelo Teddy. Não deu outra, trouxemos ele para casa e desde então ele tem sido nosso filho!

MB: Há quanto tempo vocês moram na Alemanha? E em qual cidade vocês moram exatamente?
KX: Meu marido conseguiu um trabalho em Berlim, e veio para cá em março desse ano. Devido a burocracia para trazer o Teddy, viemos em torno de dois meses depois. Teddy e eu estamos na Alemanha há menos de 5 meses.

MB: Como foi a mudança?
KX: A mudança foi bem corrida. Já tínhamos planos de morar fora, mas em 2019, então não tínhamos pesquisado nada sobre a viagem do cachorro até então. Precisamos colocar o microchip, dar a vacina de raiva nele e esperar 30 dias para fazer o exame de sangue (sorologia da raiva). Tudo estava sendo acompanhado pela nossa veterinária, mas uma semana antes da data prevista da coleta de sangue, o Centro de Zoonoses de SP (único laboratório credenciado no Brasil) anunciou que não estava mais realizando o exame. Tivemos que encontrar uma consultoria que pudesse fazer a coleta e enviar para os Estados Unidos. Isso acabou atrasando um pouco nosso planejamento, por isso eu e ele tivemos que vir 2 meses depois do meu marido para Berlim.

MB: Alguma dificuldade? Em relação a documentação exigida ou mesmo pela viagem em si.
KX: Na parte da documentação, apenas tivemos dificuldade com o exame da sorologia da raiva. A consultoria nos auxiliou com toda a documentação restante, então no dia do vôo tudo foi bem tranquilo. Como o Teddy é muito ansioso e late por qualquer coisa, optamos por trazê-lo no porão do avião. Antes da viagem, eu o acostumei com a caixa de transporte, mas com ele não estava tão acostumado a tantos barulhos e movimentos e o vôo foi longo, ele estava bem assustado quando chegamos em Berlim. Ele ficou extremamente apegado (acho que com medo de ficar sozinho de novo) por umas 2 semanas, mas depois voltou ao normal.

MB: Até aqui alguma curiosidade ou situação inesperada?
KX: Nunca pensei na possibilidade de adestrar o Teddy, porque o tinha como cão de companhia e achava engraçado (e até bonitinho) ele mandar na casa. Posso dizer que Berlim é muito pet friendly, você pode levar seu cachorro em praticamente todos os lugares (até metrô e ônibus) e por isso, os donos levam adestramento muito à sério aqui, existem até escolas para cachorro. Sofremos bastante no começo com a falta de educação do Teddy e tivemos que recorrer a uma adestradora. Não acho que ele chegará no nível de educação alemão (os cães andam sem coleiras, esperam os donos sozinhos na frente de porta dos comércios, não brincam com outros cachorros..) mas ele está melhorando!

MB: Quais diferenças você nota em relação a vida com bichos no Brasil e na Alemanha? Pet shops, alimentação, etc..
KX: Eu acho que Berlim peca em serviços, de um modo geral. Não encontrei ainda um pet shop que saiba fazer corretamente a tosa de um spitz, acho que as opções de ração são limitadas e você não vê tantas opções de roupinhas e brinquedos, em comparação ao Brasil. Aqui, cachorro é cachorro, são poucas as pessoas que os tratam como filhos, como muitos (incluso eu!) fazem no Brasil. O dono precisa fazer o registro do cão assim que chega em Berlim, paga um imposto anual e recebe uma plaquinha de identificação, que é de uso obrigatório. Acho que por isso Berlim é tão pet friendly, como você paga um imposto pelo seu cachorro, tem o direito de estar sempre com ele: transporte público, restaurantes, shoppings. Aqui tem uma regra: se um local não aceita um cão, há aviso na porta. Do contrário, eles são bem vindos!

 

Teddy passeando em Berlim

 

MB: Há muitos animais abandonados onde mora? E se houver, existem ONGs e protetores independentes?
KX: Nesses 4 meses e meio que estou em Berlim, nunca vi um cachorro ou gato abandonado. A regra é que o cachorro tenha um microchip e registro na prefeitura. Se ele se perde, a polícia consegue localizar e entrar em contato com o dono, que recebe uma multa e paga a diária do cachorro na policia (como pagar o pátio no Detran, quando um carro é apreendido). Já vi várias ONGs por aqui que cuidam de animais silvestres, como raposas, pássaros, etc.

MB: Alguma dica para aqueles que podem fazer a mesma mudança em breve?
KX: A primeira dica que eu daria é colocar o microchip, mesmo que você não pretenda viajar. É uma segurança para o animal, e também adianta bastante um passo para a viagem. Depois, acostumar o cão na caixa de transporte, independente se ele irá junto na cabine ou não. Para quem vem para Berlim, apesar da cidade ser pet friendly, nem todos os apartamentos aceitam animais, então sempre se atentem de perguntar e exigir que esteja no contrato. Para quem vai morar em apartamento mobiliado, há um seguro que pode ser feito assim, se o cachorro destruir algum móvel, o seguro arca com os custos. Quem tiver a oportunidade de iniciar o adestramento no Brasil vai ter um choque menor quando chegar na Alemanha e se deparar com os cães super educados. E quando já estiverem por aqui, aproveitar bastante, ir em parques, bares, restaurantes… todos os lugares que nem sempre conseguimos ir com nosso pet no Brasil. Aqui, sem dúvidas, ele terá uma qualidade de vida maravilhosa!

***

Abaixo, link de uma matéria da Folha de S. Paulo de dezembro do ano passado sobre o cancelamento do exame de sorologia que a Kamila mencionou e alternativas.

Prefeitura de São Paulo cancela exame obrigatório de sorologia para raiva para pet viajar à Europa

 

Luna, uma Dachshund na Espanha

A Luna é a Dachshund de 07 anos do casal de humanos brasileiros que acabaram de se mudar para a Espanha, e apesar de estar lá há poucos meses ela já deu susto e teve que fazer uma consulta com um veterinário! A Debora Castro contou um pouco sobre as impressões deles a respeito de Valência e como foi a viagem com a Luna. Venham ler!

33995727_1760758037333271_8803133083491500032_n (1)MB: Como começou a história de vocês?
DC:
Começou em 2010, Luna tinha apenas 1 mês. Foi um presente de Natal, sempre sonhei em ter uma salsichinha 🙂

MB: Há quanto tempo vocês moram na Espanha?
DC:
Moramos na Espanha há 3 meses. Em Valência.

MB: Como foi a mudança?
DC:
A mudança foi bem cansativa, estávamos muito ansiosos e sem dormir por vários dias.

MB: Alguma dificuldade? Em relação a documentação exigida ou mesmo
pela viagem em si.
DC:
Graças a Deus não tivemos dificuldades com documentação, tivemos o
estresse do tempo de vôo que foi de 10 horas no porão do avião, pois a
Luna não podia ir conosco na cabine devido ao seu peso (8kg). A Luna
ficou muito assustada, foi uma viagem cansativa. Quando chegamos no
aeroporto de Madrid e fomos buscá-la no portão de desembarque de
animais, ficamos quase 2 horas esperando ela ser entregue, e com a demora
começamos a achar que a tinham perdido ou que tinha acontecido algo. Foi
bem estressante, chorei muito quando a encontrei e vi que a Luna estava
bem depois de todo esse tempo esperando, no final deu tudo certo!

MB: Até aqui alguma curiosidade ou situação inesperada?
DC:
Luna já nos deu um susto quando caiu do banco do parque e machucou a patinha, fomos com ela ao veterinário e fomos muito bem atendidos e a
Luna medicada.

MB: Quais diferenças você nota em relação a vida com bichos no Brasil
e na Espanha? Pet shops, alimentação, etc..
DC:
No Brasil notávamos muitos animais abandonados pelas ruas e muito
maltrato. Aqui na Espanha é muito raro vermos algum animal na rua, já
aconteceu de vermos gatinhos, mas acredito que estavam perdidos dos
donos. Quanto a veterinários tem muitas opções, alimentação é bem
variada, para todos os gostos e bolsos também. No geral, os veterinários
– como qualquer outro serviço aqui – se esforçam para te
entender, já que nosso espanhol ainda não está muito bom.
Aqui tem muitos parques para os animais também, os espanhóis gostam
muito de bichos, principalmente cachorros. É comum você andar pelo
bairro e ver várias pessoas passeando com seus bichinhos e os parques e
praças da cidade lotados de cachorros.

MB: Há muitos animais abandonados onde mora? E se houver, existem ONGs e protetores independentes?
DC:
É bem difícil ver animais abandonados aqui, quando encontramos foram alguns gatinhos, vimos que eles provavelmente estavam perdidos. Aqui
maltrato de animais e abandono dá multa e prisão. Eles levam muito a
sério as leis e as pessoas costumam respeitar muito. Aqui abandonar um
animal pode dar multa de até 30 mil euros. Existem sim ONGS e protetores
de animais, já vimos um caso de abandono de filhotes em que
eles foram resgatar.

MB: Alguma dica para aqueles que podem fazer a mesma mudança em breve?
DC:
A dica que dou é acostumar bem seu pet na caixinha de transporte antes do vôo para que seja uma viagem menos estressante possível, se atentar
na hora de alugar um imóvel se o proprietário aceita animais antes de
fechar o contrato (nem todos aceitam e isso deve ficar claro antes de
alugar um imóvel). E aproveitar muito. Seu pet com certeza terá muito
mais qualidade de vida e muitos lugares para passear e se divertir!

Luna em passeios por Valência

 

A Débora e o marido escrevem no site Turistando Afora e lá fizeram uma postagem bem completa de como levar seu bicho para a Espanha. Vejam o link abaixo!

http://turistandoafora.com/2018/07/28/como-trazer-seu-pet-para-espanha/