Adoção em dose dupla

No fim do ano passado a Luciana Santos ganhou uma família nova. Ela e o marido optaram por não ter filhos e queriam muito uma cadelinha, pesquisando ONGs no Instagram ela chegou até a Adote um Focinho. “Gostamos de uma cadelinha, passamos por todo o processo de adoção, agendamos e fomos; chegando na ONG essa cadelinha havia sido adotada.” Ela conta que sabia que isso poderia acontecer e não se deixou levar pelo desânimo. Venham ler a história do primeiro Bicho Novo em Casa do ano! Na verdade, Bichos Novos em Casa 🙂

“Nos apresentaram várias outras, ficamos quase por 4 horas conhecendo algumas e gostamos de uma filhotinha de 3 meses, porém tinha alguém que iria visitá-la na semana seguinte e então nos apresentaram a mãezinha dessa filhote; acabamos brincando com ela e decidimos ficar. Não há levamos na mesma hora pois a ONG tem como princípio, doar os animais castrados e vermifugados e precisávamos aguardar por 10 dias.”

Imagino a ansiedade da Luciana para levá-la logo para casa, mas a história não pararia por aí. “Uma das responsáveis pela ONG (Mônica), entrou em contato comigo perguntando como foi nossa visita por lá e contei que gostamos da mãezinha, ela sugeriu que ficássemos com as duas e respondi que não! E ela me informou que seria uma adoção até melhor para adaptação delas e seria ótimo não separar as duas.”

Eu não conhecia a ONG Adote um Focinho, mas vou dizer que já gostei!

“Conversei com meu marido e ele falou: vamos adotar as duas, eu até fiquei surpresa, pois o meu não de cara foi porque eu achei que ele não aceitaria, aí fiquei aguardando um segundo retorno da desistência do possível adotante da filha, eu achei que seria oferecido na visita dele ficar com as duas e como não tive retorno mandei mensagem para a Mônica perguntando: e ai o rapaz vai ficar com as duas? e ela respondeu: já sinta-se grávida, elas são suas!!! Chorei na hora e a Mônica respondeu: desde quando eu disse para vocês adotarem as duas, já dei como adotadas para vocês. Assim que respondeu SIM, quero ficar com as duas, já informei o rapaz que apareceu uma família que tem interesse pelas duas.”

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Luciana com Bibi e Pérola

Sobre a vida delas antes de chegarem no abrigo a Luciana conta que elas foram encontradas embaixo de chuva na porta de um salão de cabeleireiro em Cotia-SP. “Aparentemente a filhote tinha uns 2 meses e a mãe estava com cara de assustada. Uma moça as recolheu provisoriamente e saiu publicando quem queria ficar, chegou essa informação para a ONG e elas foram resgatá-las.”

Como já tinham o desejo de adotar uma cachorrinha, Luciana se mudou com o marido de um pequeno apartamento para uma casa maior. “A casa estava vazia, sem graça. Somente instalei dois portões para ensiná-las a fazerem xixi e cocô, mas logo que aprenderem vou retirar.”

E a escolha do nome delas? Você manteve ou mudou o nome do abrigo?
“No abrigo a mãe chamava Pérola e a filha Bibi, mantive Pérola e mudei da filha para Pitty, pois tenho um sobrinho que chama Fabiano e o apelido é Bibi, não ficaria legal continuar com o nome Bibi.”

Até aqui alguma curiosidade ou situação inesperada?
“Tenho um sobrinho de 6 anos que quando soube da adoção e marcamos dele conhecer ele soltou: tia Lú você é mãe da Pérola e Vó da Pitty, caímos na gargalhada, pois não havia pensando nisso. No mais tudo tranquilo.” ❤ ❤ ❤

As gostosuras Pitty e Pérola

 

Costeleta, um cãozinho cego e muito feliz

O último Bicho Novo em Casa do ano é com esse fofíneo, lindo e cremoso do Costeleta. Fico feliz por contar a história dele e da Malu, sua humana. Eles se conheceram meio que por acaso ou seria o destino? Acredito que só pode ser essa segunda opção porque ele acabou sendo adotado pela pessoa certa! A Malu diz que foi ele quem chegou até ela. “Fazia residência no hospital veterinário da Ulbra (Universidade Luterana do Brasil), e ele estava andando pelo campus! Até que o resgatamos!”

IMG-6020Como ele estava andando sozinho, a Malu não tem mais informações a respeito da vida dele antes de se conhecerem, mas as condições dele não eram as melhores.  “Ele estava cheio de carrapatos, com miíase (bicheira) nos testículos, e quase não tinha pelo no corpo devido a sarna! Mas sempre foi o dono do sorriso mais lindo e ainda tinha os olhos azuis mais maravilhosos! Porém ele tinha inflamações seguidas nos olhinhos e já não enxergava muito bem!”

Logo, uma amiga da Malu resolveu dar o nome de Costeleta ao mais novo mascote do grupo e todos concordaram. “Ficamos cuidando dele, castramos, tratamos a pele e ele se tornou nosso mascote. No final do ano, a Ulbra entrou em recesso e a diretoria disse “carinhosamente” que teríamos que “dar um jeito” nos mascotes. Então, eu o levei pra casa e todos se apaixonaram! Uma semana depois ele foi oficialmente adotado por mim!”

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Uma vez oficialmente adotado pela Malu, ela diz que não foi necessária muita preparação para recebê-lo. “Ele ocupou seu espaço rapidamente! Ele já estava castrado, já fazia tratamento para os olhos e ele sempre se ajudou demais!” E em relação aos olhos, ele nem sempre foi cego. E ela explica como isso aconteceu. “Ele tinha os olhinhos quando o adotei, mas não enxergava muito bem. Depois de mais ou menos 1-2 meses de sua adoção, tive que viajar e deixei uma pessoa cuidando dele (para aplicar os colírios, etc), porém quando retornei de viagem vi que ela não foi a melhor cuidadora, ele perfurou um dos olhinhos, levei imediatamente para o hospital e fizemos a cirurgia de enucleação (que é a retirada integral do globo ocular)! Ele respondeu muito bem e se tornou um cachorro mais feliz! Porém, o olhinho que ficou seguia sempre incomodando, não respondia mais aos tratamentos com colírio. Ele desenvolveu catarata e glaucoma. A Oftalmologista sugeriu aplicação intraocular de medicamentos, mas eu via que ele sentia muita dor. Como ele já não enxergava nada e era só uma questão estética eu optei por enuclear este olhinho também!”

Mas muito se engana quem pensa que para o Costeleta isso significou sofrimento ou que a vida dele com a Malu mudou completamente. “Desde então ele se tornou mais feliz ainda! Sem dor! Se adapta muito bem a todos os ambientes! Após se tornar “oficialmente” um cão sem olhos eu me mudei pra uma casa que tem uma pequena escada, em poucas horas ele se acostumou e já sabia transitar por toda a casa! Ele é sempre o primeiro a saber que tem alguém chegando em casa! Adora ficar no pátio da frente latindo para as pessoas e outros animais que passam na calçada! Adora fazer novos amigos! E por incrível que pareça ele adora correr atrás dos meus gatos no pátio! Mas se dão muito bem!” ❤ ❤ ❤

 

Projeto Pandora #perfilparaseguir

O Projeto Pandora começou em 2014 quando a Talita Borges foi até uma comunidade carente, em Ribeirão Preto (interior de São Paulo), ajudar uma cachorrinha grávida que estava pronta para ter os filhotes e não conseguia. De lá pra cá, o projeto tomou forma e com o objetivo de castrar e vacinar o maior número de animais de duas comunidades na cidade ela vem trabalhando incansavelmente para ajudar no controle populacional da região, que segundo ela, tem uma quantidade grande de animais em situação de rua.

Nesses tempos estranhos, em que a violência contra animais nos choca e entristece, é bom saber que há pessoas que se esforçam para que os bichos tenham uma vida mais digna. Venham ler, se inspirar, ajudar, compartilhar e apoiar o Projeto Pandora. Segue a entrevista abaixo.

MB: Para situar as pessoas que lerão o post. Onde o Projeto Pandora atua? E há muitos animais abandonados nessa região?
PP: O projeto foi criado, com intuito de castrar e vacinar os animais de duas comunidades carentes de Ribeirão Preto, a favela da Aids e o Jd. Progresso, locais onde não há controle populacional e o número de animais em situação de rua é assustador. Estima-se que apenas na área do bairro Parque Ribeirão Preto, região onde estão localizadas essas comunidades, existam quase dois mil cães e gatos errantes ou semi domiciliados (tem casa, porém passam a maior parte do tempo nas ruas e não são castrados, contribuindo assim para o aumento populacional).

MB: Como e quando começou a ideia do projeto?
PP: Em 2014, eu fui até a favela da Aids, porque uma cachorrinha de rua estava tentando dar à luz há dois dias e não conseguia, me chamaram para socorre-lá. Ela pariu três bebês, dois morreram e eu acabei indo todos os dias cuidar da mãezinha, que tinha TVT e do bebê que sobreviveu, ia todos os dias, por três meses, até conseguir tratar e doar ambos. Foi aí que conheci a realidade daquele local, e comecei a castrar algumas fêmeas que já estavam exaustas de tanto parir, algumas amigas começaram a me ajudar e expandimos para as redes sociais. Até hoje estamos lá, na tentativa de castrar e vacinar o maior número de animais possível. O grande problema, é que existem muitos animais doentes, muitas vezes nos optamos por tirar o animal da comunidade e assumimos ele até se curar e ser adotado, muitas vezes, gastamos mais do que podemos com o tratamento e hospedagem desses animais doentes que não sobra verba para a castração.

MB: Quem são e quantas pessoas ajudam com o projeto no dia a dia?
PP: Somos 2 que estão sempre na comunidade, tem outras voluntárias que ajudam com carona solidária e financeiramente às vezes.

MB: Vocês recebem alguma ajuda governamental? Como se mantêm?
PP: Não recebemos nenhum tipo de recursos do governo, 70% dos custos são bancados por mim, os outros 30% arrecadamos com doações ou realizações de ações, como venda de pizzas, rifas ou bazar.

MB: Qual importância do projeto na região onde ele está?
PP: Na cidade toda não existe nenhum tipo de controle populacional de cães e gatos, vindo do Estado, inclusive as prefeituras são obrigadas por lei, a manter o controle populacional desses animais, porém em Ribeirão Preto, há mais de 30 anos que nenhuma gestão se preocupa com a castração dos animais. Quem acaba fazendo esse trabalho são civis comuns, que pagam do próprio bolso a castração, vacinação e muitas vezes a hospedagem para tirá-los da rua. Temos pontos de abandonos bem conhecidos na cidade, como o Morro do São Bento, o cemitério da Saudade e a USP, locais que deveriam ser monitorados e feito CED (captura, esterilização e devolução) nos animais pela prefeitura, mesmo com vários pedidos e até processos no ministério público, nunca foi feito nada de efetivo, quem acaba fazendo as castrações são ativistas da causa animal, com recursos próprios. É muito triste, mas a cidade está abandonada há muitos anos.

MB: Vi alguns posts sobre doação de castração. Achei a ideia bem legal. Como funciona?
PP: Temos parceria com algumas clínicas veterinárias de Ribeirão Preto, conseguimos valores mais baratos, pois castramos em torno de 30 animais/mês, pedimos ajuda para conseguir continuar com esse número de animais castrados, as pessoas podem ajudar depositando em uma de nossas contas ou pagando direto na clínica. Quem não pode doar uma castração inteira, pode doar parte, qualquer valor é bem vindo.

MB: Por que ajudar os bichos?
PP: Não sei, desde criança tenho esse amor inexplicável pelos animais. Decidi fazer desse amor um projeto social porque entendi que se eles continuarem procriando nas ruas, o sofrimento nunca irá cessar, apenas passar dos pais para os filhos. É muito triste a situação dos nossos animais nas ruas, exposto a todo e qualquer tipo de maldade humana.

MB: Se alguém quiser colaborar com vocês, como fazer?
PP: Pode entrar em contato através da nossa página do Instagram @projetopandorarp ou pelo e-mail: projetopandorarp@gmail.com

Abaixo, os bichos da comunidade de Ribeirão Preto que o Projeto Pandora assiste.

A gatinha Antonella

A Gabriella Santos de Paiva já tinha a Sammy, uma cachorrinha SRD de 5 anos, quando a Antonella chegou em sua vida. “Eu queria muito uma gatinha, mas minha mãe não deixava pelo fato de morarmos em apartamento e já termos uma cachorra. Eu adotei a Antonella em um grupo de gatos do Facebook aqui da minha cidade, de início foi como lar temporário até que chegasse o aniversário da minha priminha, pois o gatinho dela havia morrido e ela estava muito tristinha querendo outro, mas quando chegou o dia de entregar pra ela, eu não consegui… já tinha me apegado! Daí fiquei com a Antonella e adotei outro gatinho e dei pra minha prima (ela o ama muito! E adorou surpresa)”.

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Antonella

Olha aí, mais uma vez as redes sociais ajudando os bichos a encontrarem um novo lar, seja temporário ou definitivo. Nem só de fake news é feita a internet. Leiam a história completa delas abaixo.

Hoje faz 07 meses que a Antonella se juntou à família da Gabriella, que a pegou com 35 dias, uma bebê ainda! Apesar de não ter muita experiência com gatos, ela diz que a preparação para recebê-la em casa foi tranquila. “Eu não tinha noção nenhuma de como cuidar de um gato, mas foi fácil… comprei caixinha de areia, ração e sachês para filhote.” Essa foi a preparação da casa, agora quanto à moradora mais antiga, a Sammy, já foi mais complicado, mas a Gabriella fez direitinho e deu certo. “O mais difícil foi a socialização com a minha cachorra, que por ser “filha única” e já ter 5 anos, foi um pouco “resistente”. Fui apresentando elas aos poucos, deixando em quartos separados. Dentro de 2 semanas o processo de socialização já estava completo e as duas brincando. Hoje não se largam e se amam muitão!!”

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Sammy e Antonella ❤ ❤

Minha dica é: tenha MUITA paciência, mas fique tranquilo porque no final dá tudo certo! No começo eu fiquei preocupada, pois a minha cachorra tentava “pegar” a gata. Então, eu assisti alguns vídeos no YouTube sobre socialização de cães e gatos, li algumas reportagens sobre o assunto e fui colocando em prática. Como, por exemplo, deixar elas em quartos separados nos primeiros dias, alternar elas de quartos para que se acostumem uma com o cheiro da outra, nos primeiros “encontros” delas esteja sempre junto, nunca force uma aproximação antes da hora, acontecerá naturalmente no tempo delas, no caso das minhas esse período durou 2 semanas, hoje são melhores amigas!” E essas dicas valem ouro hein! E dessa fez o Youtube dando uma mãozinha e que funcionou muito bem, eu mesma segui essas mesmas regras para adaptar meus dois gatos e funcionou também.

E como a Gabriella escolheu o nome dessa lindeza? “Eu tinha uma lista no meu bloco de notas com nomes que colocaria na minha filha quando tivesse hahaha e Antonella era um desses, daí decidi colocar esse nome na gata porque era o meu favorito.” Uma curiosidade a respeito da Antonella, “ela não bebe água no pote dela, só bebe água quando damos no copo (de gente) hahaha toda vez que vou até a cozinha beber água ela começa a miar pedindo pra eu dar o copo pra ela beber.”

Salvelina, uma cachorrinha na França

A Salvelina é uma cachorrinha SRD de 4 anos de idade. Quando eu descobri o motivo dela ter esse nome eu quase morri de rir. Vocês se lembram do vídeo do garotinho que dizia para o amigo no carrinho: “taca-lhe pau nesse carrinho Marcos”? Se não lembram vou colocar no final desse post porque vale a pena rever, e foi daí que veio o nome Salvelina, cachorrinha da Ingrid Gazzoni. Elas moram na França e contam aqui como foi a mudança e como está sendo a vida por lá, um país conhecido por ser muito inclusivo em relação ao cães, mas que também tem um lado B.  Vejam o que ela conta na entrevista abaixo.

WhatsApp Image 2018-10-14 at 4.20.16 AMMB: Como começou a história de vocês?
IG: O meu marido queria fazer um MBA fora do Brasil, enquanto pesquisamos as faculdades, pesquisávamos também as regras de “imigração” para a Salvelina. A escola que o meu marido está fazendo, INSEAD, tem um campus aqui na França e outro em Singapura, e poderíamos optar por estudar aqui ou lá. A Salvelina foi o quem nos ajudou a escolher o campus, pois a França é bem mais tranquila em relação a vinda de animais do que Singapura, onde os bichinhos têm que ficar de quarentena. No final, foi a melhor decisão, pois logo depois que ele passou eu descobri que estava grávida. Ou seja, nos mudamos com um cachorro e uma bebê recém-nascida.

MB: Há quanto tempo vocês moram na França? E em qual cidade vocês moram exatamente?
IG: Estamos morando desde agosto desse ano e iremos ficar até julho do ano que vem. Moramos em Fontainebleau, uma cidade de 15 mil habitantes, há 65 quilômetros de Paris.

MB: Como foi a mudança dela?
IG: Para nós o maior desafio era fazer com que a Salvelina sofresse o mínimo necessário durante o voo. Para isso, optamos por trazê-la em um voo direto Rio x Paris. Voos diretos são sempre bem mais caros, e por isso, eu e o meu Marido viajamos em voos separados. Eu vim com a Marina (nossa filha que estava com quase 3 meses) em um voo com conexão pela TAP e ele veio no voo direto da Airfrance com a Salvelina. Uma dica que eu dou para quem vai fazer uma mudança grande assim é chegar em dias diferentes. Eu cheguei um dia depois do meu marido e foi bem mais tranquilo, pois malas, cachorro e bebê seria muito complicado. Para chegar na nossa cidade optamos por alugar um carro.

MB: Alguma dificuldade? Em relação a documentação exigida ou mesmo pela viagem em si.
IG: Escolha muito bem o veterinário que vai acompanhar o processo. A Salvelina teve que tirar sangue três vezes para fazer o exame da raiva. A primeira vez, eles mandaram todo o sangue da Salvelina para o laboratório que faz a análise da sorologia sem processar o sangue antes. Na segunda vez, esqueceram de me falar que era necessário o animal estar em jejum e ela teve que tirar sangue pela terceira vez.

MB: Até aqui alguma curiosidade ou situação inesperada?
IG: A princípio por conta do preço das passagens tínhamos pensado em vir pela TAP, mas descobrimos que você tem que sinalizar o aeroporto antes da viagem, pois se você chegar em Portugal com um animal sem ter avisado antes tem que pagar uma multa. Aqui na França praticamente não houve imigração da Salvelina. Todos os documentos foram apenas consultados pela AirFrance no Brasil.

MB: Quais diferenças você nota em relação a vida com bichos no Brasil e na França? Pet shops, alimentação, etc..
IG: Aqui os cachorros podem entrar em praticamente TODOS os lugares. É comum ver cachorros grandes e pequenos dentro de restaurantes, e eu não estou falando nas mesas do lado de fora não, dentro mesmo. Já vi cachorros dentro de museus e por ai vai. Uma coisa que me incomoda muito é que infelizmente poucos franceses têm o habito de recolher os cocôs das calçadas.

MB: Há muitos animais abandonados onde mora? E se houver, existem ONGs e protetores independentes?
IG: Estou morando no interior e ainda não vi nenhum cachorro de rua. Já vi alguns gatos, mas como tem muita casa, acho que todos tem um lar.

MB: Alguma dica para aqueles que podem fazer a mesma mudança em breve?
IG: Quando estávamos planejando a mudança muitas pessoas ficaram chocadas em saber que iriamos levar a Salvelina. Eu ficava chocada mesmo em saber que por conta do trabalho que o processo dá algumas pessoas optam por abandonar os animais. Então a minha principal dica é: Vai ser caro, vai dar trabalho, mas ter o seu animal com você não tem preço. ❤ ❤ ❤

 

Salvelina com a família que foi para França e não a deixou para trás

 

***

Abaixo o vídeo que a Ingrid comentou e de onde veio a inspiração para o nome da Salvelina 🙂

Zigg, um cachorrinho esperto e temperamental

Você já teve aquela sensação quando está sozinha(o) em casa que falta alguma coisa? A Jaque Hermes sempre resgatou e teve cachorros enquanto morava com os pais, mas quando foi morar sozinha parecia que faltava algo. “Um dia soube que uma vizinha estava com uns filhotes mestiços que ela não poderia vender, eles iriam para um abrigo. Quando cheguei foi amor à primeira vista, 5 bolotinhas minúsculas, mas tinha um por quem eu me apaixonei desde que o vi. Era o maior e bem mais esperto que os outros, pretinho com o pelo duro, e a filha da dona me disse que era um dos únicos que tinha nome, Bob Marley. Como achei um nome muito manjado troquei pra Zigg e mantive o Marley.” Leiam abaixo a história cheia de aventuras do Zigg e da Jaque, que ela mesma escreveu para o Manual 😉

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Ziggy bebê e hoje em dia

“Ele foi um bebê terrível, bagunceiro e chorão (é até hoje, na verdade). A dona do canil tinha dito que a mãe dele era Yorkie e o pai dele era Lhasa Apso, mas pela aparência dele eu tinha certeza que estavam tentando “me enrolar”. Adotei ele crente que ia virar uma estopinha e era exatamente isso que eu queria (doce ilusão).

Um tempo depois acabei voltando para a casa dos meus pais, na parte rural de Caxias do Sul – RS. Lá ele aprontou de tudo, precisou ir pra veterinário com espinhos de ouriço, corria atrás das galinhas, roubava ovos, fugia pra brincar com o cachorro do vizinho, ia caçar… tudo isso com o “manão” dele, o Urso (um bebezão de 14 anos e 40kg que foi resgatado das ruas anos atrás) e foi a melhor coisa para a formação dele.

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Um belo dia ele acordou mal, fugia de todos, se escondia. Levamos ao veterinário e ele ficou internado. No outro dia fui visitá-lo e a médica me informou que ele estava com Parvovirose* e Giardia**, e que provavelmente não iria sobreviver. Lembro que pedi pra vê-lo e ela disse que ele estava no isolamento e não poderia receber visitas, perdi meu chão. Nessa época o cabelo dele já estava “clareando e alisando” e eu percebendo que minha estopinha não ia ter nada de estopa, ele tinha 8 meses.

Depois de 4 dias de internação ele teve alta, a felicidade não cabia em mim. Continuamos nossa vidinha até que conheci o Caio (que morava em SP e tinha 2 gatos e uma cachorrinha bem idosa) pela internet, um tempo depois resolvemos nos mudar para SP.

Zigg Marley sempre foi muito temperamental, assim como o Mozart (gato de quase 8kg do Caio) e confesso que de início tive bastante medo e eles estavam sempre com supervisão. Nos primeiros dias não trocavam olhares e depois começaram a se aturar.

Um mês depois a Vitória (cachorrinha de 17 anos do Caio) morreu e um pouco depois Mozart foi atropelado e quebrou o maxilar. Ficou na UTI, fez várias cirurgias, precisou colocar sonda e sempre ficava grogue pela medicação. Com isso Zigg se aproximou muito do Mozart, estava sempre preocupado, acompanhava cada hora do remédio, cada troca de curativo, cada vez que íamos dar comida e água.

Foi assim que eles viraram amigos, brincam, brigam às vezes, mas é coisa de irmão. Judith (a outra gata) é bem mais na dela, não dá muita atenção pra ele, mas a convivência também é boa.

Zigg nunca fez suas necessidades em casa, então saímos com ele várias vezes por dia e enquanto trabalhamos ele fica na casa da vó dele que faz tudo que ele quer.

E estamos aí. Ele lindo, loiro e liso, amando o Caio enlouquecidamente e sendo tratado como neto pelos meus sogros.”

***

Abaixo o descritivo das doenças (graves) que o Zigg teve e se curou.

*Parvovirose
É uma doença infecto-contagiosa causada por um vírus chamado parvovírus. Esta virose pode afetar cães de qualquer idade, porém os filhotes são mais suscetíveis à doença. Pois na maioria dos casos os filhotes de cães ainda não foram imunizados. A parvovirose canina pode ser transmitida pelo contato com as fezes e secreções de animais contaminados. O parvovirus é resistente, podendo manter-se no ambiente durante meses e desta forma infetar um novo hospedeiro.
Os sintomas iniciais incluem perda de apetite, diarreia, vômitos, desidratação, problemas respiratórios. A principal forma de prevenir esta doença é vacinação.

**Giardíase
A giardíase canina é uma doença provocada por um protozoário (Giardia lamblia) que se aloja no intestino dos animais. A infecção acontece quando o cão ingere água e alimentos contaminados por cistos oriundos das fezes de outro cachorro já infectado. Os principais sintomas são: Diarreia, vômito, desidratação, perda de peso, entre outros.Recomenda-se a vacinação, bons hábitos de higiene como método de prevenção. Vale ressaltar que as pessoas também estão sujeitas a adquirir essa doença.

Fonte: Wikipédia

Teddy, um Spitz Alemão na Alemanha

O Teddy é um Spitz Alemão de quase três anos que representa muito para a Kamila Xavier: um sonho, um presente, um filho. Eles agora moram na Alemanha há quase cinco meses e abaixo ela conta como foi a mudança, dá dicas bem interessantes para quem pensa em ir para Berlim e como está sendo a vida desse cachorrinho bagunceiro por lá, que aos poucos aprende a se comportar como um cãozinho alemão, afinal ele tem Alemão na raça, né?

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Teddy e Kamila em Berlim ❤

MB: Como começou a história de vocês?
KX: Ter um cãozinho sempre foi um sonho uma vez que morei grande parte da minha vida com meus pais e eles não queriam um cachorro. Mais ou menos 3 meses depois que me casei, ganhei o Teddy de presente do meu marido. Fomos juntos ao canil escolher e de cara me apaixonei por ele: o menorzinho, mais carente e mais manhoso dos filhotes que estavam lá. Meu sobrinho, na época com 2 anos, nos acompanhou na visita e vimos o carinho que ele também sentiu pelo Teddy. Não deu outra, trouxemos ele para casa e desde então ele tem sido nosso filho!

MB: Há quanto tempo vocês moram na Alemanha? E em qual cidade vocês moram exatamente?
KX: Meu marido conseguiu um trabalho em Berlim, e veio para cá em março desse ano. Devido a burocracia para trazer o Teddy, viemos em torno de dois meses depois. Teddy e eu estamos na Alemanha há menos de 5 meses.

MB: Como foi a mudança?
KX: A mudança foi bem corrida. Já tínhamos planos de morar fora, mas em 2019, então não tínhamos pesquisado nada sobre a viagem do cachorro até então. Precisamos colocar o microchip, dar a vacina de raiva nele e esperar 30 dias para fazer o exame de sangue (sorologia da raiva). Tudo estava sendo acompanhado pela nossa veterinária, mas uma semana antes da data prevista da coleta de sangue, o Centro de Zoonoses de SP (único laboratório credenciado no Brasil) anunciou que não estava mais realizando o exame. Tivemos que encontrar uma consultoria que pudesse fazer a coleta e enviar para os Estados Unidos. Isso acabou atrasando um pouco nosso planejamento, por isso eu e ele tivemos que vir 2 meses depois do meu marido para Berlim.

MB: Alguma dificuldade? Em relação a documentação exigida ou mesmo pela viagem em si.
KX: Na parte da documentação, apenas tivemos dificuldade com o exame da sorologia da raiva. A consultoria nos auxiliou com toda a documentação restante, então no dia do vôo tudo foi bem tranquilo. Como o Teddy é muito ansioso e late por qualquer coisa, optamos por trazê-lo no porão do avião. Antes da viagem, eu o acostumei com a caixa de transporte, mas com ele não estava tão acostumado a tantos barulhos e movimentos e o vôo foi longo, ele estava bem assustado quando chegamos em Berlim. Ele ficou extremamente apegado (acho que com medo de ficar sozinho de novo) por umas 2 semanas, mas depois voltou ao normal.

MB: Até aqui alguma curiosidade ou situação inesperada?
KX: Nunca pensei na possibilidade de adestrar o Teddy, porque o tinha como cão de companhia e achava engraçado (e até bonitinho) ele mandar na casa. Posso dizer que Berlim é muito pet friendly, você pode levar seu cachorro em praticamente todos os lugares (até metrô e ônibus) e por isso, os donos levam adestramento muito à sério aqui, existem até escolas para cachorro. Sofremos bastante no começo com a falta de educação do Teddy e tivemos que recorrer a uma adestradora. Não acho que ele chegará no nível de educação alemão (os cães andam sem coleiras, esperam os donos sozinhos na frente de porta dos comércios, não brincam com outros cachorros..) mas ele está melhorando!

MB: Quais diferenças você nota em relação a vida com bichos no Brasil e na Alemanha? Pet shops, alimentação, etc..
KX: Eu acho que Berlim peca em serviços, de um modo geral. Não encontrei ainda um pet shop que saiba fazer corretamente a tosa de um spitz, acho que as opções de ração são limitadas e você não vê tantas opções de roupinhas e brinquedos, em comparação ao Brasil. Aqui, cachorro é cachorro, são poucas as pessoas que os tratam como filhos, como muitos (incluso eu!) fazem no Brasil. O dono precisa fazer o registro do cão assim que chega em Berlim, paga um imposto anual e recebe uma plaquinha de identificação, que é de uso obrigatório. Acho que por isso Berlim é tão pet friendly, como você paga um imposto pelo seu cachorro, tem o direito de estar sempre com ele: transporte público, restaurantes, shoppings. Aqui tem uma regra: se um local não aceita um cão, há aviso na porta. Do contrário, eles são bem vindos!

 

Teddy passeando em Berlim

 

MB: Há muitos animais abandonados onde mora? E se houver, existem ONGs e protetores independentes?
KX: Nesses 4 meses e meio que estou em Berlim, nunca vi um cachorro ou gato abandonado. A regra é que o cachorro tenha um microchip e registro na prefeitura. Se ele se perde, a polícia consegue localizar e entrar em contato com o dono, que recebe uma multa e paga a diária do cachorro na policia (como pagar o pátio no Detran, quando um carro é apreendido). Já vi várias ONGs por aqui que cuidam de animais silvestres, como raposas, pássaros, etc.

MB: Alguma dica para aqueles que podem fazer a mesma mudança em breve?
KX: A primeira dica que eu daria é colocar o microchip, mesmo que você não pretenda viajar. É uma segurança para o animal, e também adianta bastante um passo para a viagem. Depois, acostumar o cão na caixa de transporte, independente se ele irá junto na cabine ou não. Para quem vem para Berlim, apesar da cidade ser pet friendly, nem todos os apartamentos aceitam animais, então sempre se atentem de perguntar e exigir que esteja no contrato. Para quem vai morar em apartamento mobiliado, há um seguro que pode ser feito assim, se o cachorro destruir algum móvel, o seguro arca com os custos. Quem tiver a oportunidade de iniciar o adestramento no Brasil vai ter um choque menor quando chegar na Alemanha e se deparar com os cães super educados. E quando já estiverem por aqui, aproveitar bastante, ir em parques, bares, restaurantes… todos os lugares que nem sempre conseguimos ir com nosso pet no Brasil. Aqui, sem dúvidas, ele terá uma qualidade de vida maravilhosa!

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Abaixo, link de uma matéria da Folha de S. Paulo de dezembro do ano passado sobre o cancelamento do exame de sorologia que a Kamila mencionou e alternativas.

Prefeitura de São Paulo cancela exame obrigatório de sorologia para raiva para pet viajar à Europa

 

Jack, ladrão de corações

Muitas pessoas associam a ideia de ter um animal de estimação a um filhotinho, elas visualizam uma bolinha de pêlos e todo um cenário com ele. Só fica de fora a parte da adaptação e treinamento que requer tempo e muita paciência, lembrando que cabos de televisão e computador possivelmente serão mordidos, os chinelos e, às vezes até móveis (eles tem que experimentar o mundo). Esse processo é legal, mas não é para todo mundo e fazer essa avaliação é importante e não significa que a pessoa não pode ter um bicho de estimação. Ao contrário, uma ótima opção é adotar um animal adulto – acima de um ano para cães e de seis meses para gatos, o amor será igual e os futuros dias felizes também. Há quase um mês a Anne Chaves e o namorado estão vivendo essa experiência com o Jack, que de acordo com ela “em tão pouco tempo já roubou nossos corações”. Leiam abaixo a história deles.

39409316_1601470136630116_1740465200974266368_n“Eu e meu namorado moramos juntos e gostamos muito de animais, qualquer tipo, e surgiu a vontade de ter um cachorro. Procuramos as ONG’s que acolhem animais para ir pesquisando. Uma amiga, Caroline Moura, é voluntária na AATAN e ela me falou do Jack. Ela tirava fotos com ele para campanhas online afim de encontrar uma família para ele. Quanto mais eu via fotos dele, mais me apaixonava”. Eles não sabiam muito sobre a história dele, apenas que tinha chegado no abrigo esse ano. “Suspeito que tenha sido abandonado, pelo comportamento dele ser bem carinhoso, ele não demonstra ter medo de pessoas ou de outros animais, é bem dócil”.

Eles resolveram manter o nome que ele tinha no abrigo, Jack. “Achamos que ele já estaria se adaptando a um novo ambiente, novas pessoas, por quê faze-lo se adaptar a um nome novo também? É muita coisa para eles processarem.” E ele é, oficialmente, o primeiro cachorro deles – que já puderam viver com outros bichos quando moravam com os pais. “Eu já tive vários cães quando era criança e adolescente, sem contar as aves e peixes. Meu namorado teve um cachorro quando morava com os pais. No momento nós temos dois hamsters, nos quais o Jack até agora tem se dado bem, curioso, porém nunca agressivo. Mas considerando que o Jack é o primeiro animal desse porte que eu e meu namorado pegamos para cuidar sem auxílio dos nossos pais, como foi na infância e na adolescência, acho que podemos dizer que é nosso primeiro cachorro”.

E no momento que decidiram adotar, eles fizeram a coisa mais importante e que muitas pessoas só pensam depois: avaliar as finanças para ter certeza que seria possível. “Analisamos financeiramente, pois uma vida requer cuidados, alimentação adequada, veterinário, vacinas e tudo mais. Nos informamos sobre as regras do condomínio em que moramos sobre animais de estimação. Na casa em si tiramos todos os objetos que pudessem ficar ao alcance dele e trazer algum mal. Só depois da adoção compramos potinho, brinquedinho, justamente para ir testando o que ele gosta. Meu pai deu uma caminha para ele também. Separamos um lugarzinho para ele ficar conosco durante a noite. Também acredito ser importante pensar na rotina, como vivemos em apartamento, é um ambiente fechado sem muito espaço, então planejamos que ele passearia com frequência, no caso, o Jack passeia duas vezes por dia”.

Sobre o fato do Jack ser um cão adulto, a Anne disse que inicialmente eles tinham um “molde” também. “Queríamos uma fêmea filhote, porém quando conhecemos os outros cachorrinhos adultos acabamos nos apaixonando e o Jack foi a gota d’água, nossos corações não poderiam dizer não. Mas se você analisar isso de forma mais técnica, também há vantagens. Por exemplo, como moramos em apartamento não podíamos pegar um cachorro muito grande, e um filhote não tem como saber o tamanho que ficará, por ser SRD. O temperamento/personalidade também já está construído. Ou seja, você tem uma ideia do cachorro que está levando para casa, e se ele se encaixa na sua rotina e casa/apartamento”. Outro ponto positivo para a adoção de bichos adultos e que surpreendeu a Anne e o namorado é que Jack só faz as necessidades na rua. “Esperávamos que ele seria mais difícil de se adaptar a essas coisas, ou a tapetes higiênicos. Mas o Jack é bem tranquilo, carinhoso, não late, fica na dele, e faz tudo na rua”.

Jack na casa nova

Quando pergunto se eles já passaram por alguma situação curiosa ou inusitada ela diz que conta sobre um dia que por um segundo esqueceram que havia um cachorro em casa. “Deixamos um hambúrguer em cima da cama sem supervisão, quando voltamos no quarto o Jack estava com a boca no hambúrguer. Na hora demos bronca, pegamos o hambúrguer dele, pois acreditamos que não seja saudável que ele coma esse tipo de comida, mas depois rimos muito da situação. É como ter uma criança nova em casa, a gente tem que se adaptar e educar“. E Jack de bobo não tem nada. Algumas coisas não mudam, sejam filhotes ou adultos. ❤ ❤ ❤

AATAN #perfilparaseguir

A região da zona rural de Sorocaba, no interior de São Paulo, sofre há anos com o grande número de cães e gatos abandonados. A tia Dirma começou a ajudar essa causa 30 anos atrás e imaginem o tanto que ela já fez pelos animais! E nos últimos 10 anos conta também com a ajuda de voluntários, que se organizaram para criar a ONG AATAN – Associação Abrigo Temporário de Animais Necessitados.  “Um dia no abrigo é de muito trabalho: alimentar, limpar, cuidar dos doentes, separar algumas confusões, capinar o terreno, se despedir dos adotados, mas acima de tudo é um ambiente cheio de amor e gratidão.”Venham ler, se inspirar, ajudar, compartilhar e apoiar a AATAN. Segue a entrevista abaixo.

Screen Shot 2018-09-12 at 8.40.10 PMMB: Para situar as pessoas que lerão o post. Onde fica o abrigo? E há muitos animais abandonados nessa região?
AATAN: O abrigo fica na zona rural de Sorocaba, o abandono na região é muito grande e continua aumentando, pois não existe uma política eficaz de castração e recolhimento dos animais em situação de rua na nossa cidade.

MB: Como e quando começou essa ideia?
AATAN: A Tia Dirma, que é a responsável pelo abrigo, começou a atuar na causa animal há 30 anos. Nos últimos 10 anos um grupo de voluntários se reuniu para ajudá-la, conseguiram a sede, criaram a ONG, organizam eventos de arrecadação, feiras de adoção e atuação nas mídias.

MB: Quantas pessoas ajudam o abrigo no dia a dia?
AATAN: Lá no abrigo a Dirma conta com a ajuda da família dela e mais três funcionários para manutenção do local, já os voluntários atuantes acredito que seja em torno de 20.

MB: Como é um dia no abrigo?
AATAN: Um dia no abrigo é de muito trabalho: alimentar, limpar, cuidar dos doentes, separar algumas confusões, capinar o terreno, se despedir dos adotados, mas acima de tudo é um ambiente cheio de amor e gratidão.

MB: Vocês recebem alguma ajuda governamental? Como se mantem?
AATAN: Não recebemos nenhuma ajuda pública, dependemos 100% de doações. Muitas pessoas e empresas da cidade organizam eventos de arrecadação e também vendemos produtos do abrigo como: canetas, imãs, mantas e camisetas.

MB: Qual importância do abrigo na região onde ele está? As pessoas deixam animais abandonados na porta?
AATAN: Muitas pessoas nos pedem ajuda através das redes sociais, mas infelizmente estamos lotados e não fazemos resgates, porém disponibilizamos um meio de divulgação no nosso Facebook. Mesmo não divulgando o endereço do abrigo, pelo menos uma vez por semana cães e gatos são abandonados na nossa porta.

MB: Vi em alguns posts que é comum algumas pessoas devolverem animais adotados, ex: Dolar. Isso ocorre com frequência? Há algum tipo de acompanhamento depois da adoção?
AATAN: Quando o número de adoções aumenta é mais comum que animais sejam devolvidos, temos um procedimento de adoção bem rígido, mas infelizmente algumas pessoas adotam por impulso e quando o animal está em casa eles se dão conta disso. Fazemos pós adoção com todos os adotantes e também mantemos contato com eles através das redes sociais.

MB: Por que ajudar os bichos?
AATAN: Porque ajudar alimenta a nossa alma e fazer o bem enriquece, os animais precisam muito da nossa ajuda e nós também precisamos deles. O abandono na região é muito grande, basta sair de casa que você cruzará com cães e gatos no seu caminho. Apoiar iniciativas como a nossa pode mudar essa realidade, temos atualmente 350 abrigados entre cães e gatos, são muitas bocas para alimentar e se cada um colaborar com um pouco, nenhum deles sentirá fome.

Alguns dos bichos para adoção da AATAN ❤

MB: Se alguém quiser colaborar com vocês, como fazer?
AATAN: Comprando nossos produtos a venda nas feiras de adoção, participando dos nossos eventos, sendo voluntário ou deixando doação nos nossos pontos de arrecadação:

☞ Espaço Vital – Fisioterapia Especializada | Rua Visconde do Rio Branco, 601.
☞ Escola Two Four Seven de Inglês | Av. Nogueira Padilha, 247.
☞ Vila da Esquina | Rua Capitão Nascimento Filho, 127.
☞ Geração Pet (depósito) | Rua Campinas, 137
☞ Associação dos Deficientes de Votorantim | Rua Monte Alegre, 470
e depósito na conta bancária:
Banco Itaú
Agência: 1653
Conta Corrente: 35850-5

Luna, uma Dachshund na Espanha

A Luna é a Dachshund de 07 anos do casal de humanos brasileiros que acabaram de se mudar para a Espanha, e apesar de estar lá há poucos meses ela já deu susto e teve que fazer uma consulta com um veterinário! A Debora Castro contou um pouco sobre as impressões deles a respeito de Valência e como foi a viagem com a Luna. Venham ler!

33995727_1760758037333271_8803133083491500032_n (1)MB: Como começou a história de vocês?
DC:
Começou em 2010, Luna tinha apenas 1 mês. Foi um presente de Natal, sempre sonhei em ter uma salsichinha 🙂

MB: Há quanto tempo vocês moram na Espanha?
DC:
Moramos na Espanha há 3 meses. Em Valência.

MB: Como foi a mudança?
DC:
A mudança foi bem cansativa, estávamos muito ansiosos e sem dormir por vários dias.

MB: Alguma dificuldade? Em relação a documentação exigida ou mesmo
pela viagem em si.
DC:
Graças a Deus não tivemos dificuldades com documentação, tivemos o
estresse do tempo de vôo que foi de 10 horas no porão do avião, pois a
Luna não podia ir conosco na cabine devido ao seu peso (8kg). A Luna
ficou muito assustada, foi uma viagem cansativa. Quando chegamos no
aeroporto de Madrid e fomos buscá-la no portão de desembarque de
animais, ficamos quase 2 horas esperando ela ser entregue, e com a demora
começamos a achar que a tinham perdido ou que tinha acontecido algo. Foi
bem estressante, chorei muito quando a encontrei e vi que a Luna estava
bem depois de todo esse tempo esperando, no final deu tudo certo!

MB: Até aqui alguma curiosidade ou situação inesperada?
DC:
Luna já nos deu um susto quando caiu do banco do parque e machucou a patinha, fomos com ela ao veterinário e fomos muito bem atendidos e a
Luna medicada.

MB: Quais diferenças você nota em relação a vida com bichos no Brasil
e na Espanha? Pet shops, alimentação, etc..
DC:
No Brasil notávamos muitos animais abandonados pelas ruas e muito
maltrato. Aqui na Espanha é muito raro vermos algum animal na rua, já
aconteceu de vermos gatinhos, mas acredito que estavam perdidos dos
donos. Quanto a veterinários tem muitas opções, alimentação é bem
variada, para todos os gostos e bolsos também. No geral, os veterinários
– como qualquer outro serviço aqui – se esforçam para te
entender, já que nosso espanhol ainda não está muito bom.
Aqui tem muitos parques para os animais também, os espanhóis gostam
muito de bichos, principalmente cachorros. É comum você andar pelo
bairro e ver várias pessoas passeando com seus bichinhos e os parques e
praças da cidade lotados de cachorros.

MB: Há muitos animais abandonados onde mora? E se houver, existem ONGs e protetores independentes?
DC:
É bem difícil ver animais abandonados aqui, quando encontramos foram alguns gatinhos, vimos que eles provavelmente estavam perdidos. Aqui
maltrato de animais e abandono dá multa e prisão. Eles levam muito a
sério as leis e as pessoas costumam respeitar muito. Aqui abandonar um
animal pode dar multa de até 30 mil euros. Existem sim ONGS e protetores
de animais, já vimos um caso de abandono de filhotes em que
eles foram resgatar.

MB: Alguma dica para aqueles que podem fazer a mesma mudança em breve?
DC:
A dica que dou é acostumar bem seu pet na caixinha de transporte antes do vôo para que seja uma viagem menos estressante possível, se atentar
na hora de alugar um imóvel se o proprietário aceita animais antes de
fechar o contrato (nem todos aceitam e isso deve ficar claro antes de
alugar um imóvel). E aproveitar muito. Seu pet com certeza terá muito
mais qualidade de vida e muitos lugares para passear e se divertir!

Luna em passeios por Valência

 

A Débora e o marido escrevem no site Turistando Afora e lá fizeram uma postagem bem completa de como levar seu bicho para a Espanha. Vejam o link abaixo!

http://turistandoafora.com/2018/07/28/como-trazer-seu-pet-para-espanha/