Projeto Pandora #perfilparaseguir

O Projeto Pandora começou em 2014 quando a Talita Borges foi até uma comunidade carente, em Ribeirão Preto (interior de São Paulo), ajudar uma cachorrinha grávida que estava pronta para ter os filhotes e não conseguia. De lá pra cá, o projeto tomou forma e com o objetivo de castrar e vacinar o maior número de animais de duas comunidades na cidade ela vem trabalhando incansavelmente para ajudar no controle populacional da região, que segundo ela, tem uma quantidade grande de animais em situação de rua.

Nesses tempos estranhos, em que a violência contra animais nos choca e entristece, é bom saber que há pessoas que se esforçam para que os bichos tenham uma vida mais digna. Venham ler, se inspirar, ajudar, compartilhar e apoiar o Projeto Pandora. Segue a entrevista abaixo.

MB: Para situar as pessoas que lerão o post. Onde o Projeto Pandora atua? E há muitos animais abandonados nessa região?
PP: O projeto foi criado, com intuito de castrar e vacinar os animais de duas comunidades carentes de Ribeirão Preto, a favela da Aids e o Jd. Progresso, locais onde não há controle populacional e o número de animais em situação de rua é assustador. Estima-se que apenas na área do bairro Parque Ribeirão Preto, região onde estão localizadas essas comunidades, existam quase dois mil cães e gatos errantes ou semi domiciliados (tem casa, porém passam a maior parte do tempo nas ruas e não são castrados, contribuindo assim para o aumento populacional).

MB: Como e quando começou a ideia do projeto?
PP: Em 2014, eu fui até a favela da Aids, porque uma cachorrinha de rua estava tentando dar à luz há dois dias e não conseguia, me chamaram para socorre-lá. Ela pariu três bebês, dois morreram e eu acabei indo todos os dias cuidar da mãezinha, que tinha TVT e do bebê que sobreviveu, ia todos os dias, por três meses, até conseguir tratar e doar ambos. Foi aí que conheci a realidade daquele local, e comecei a castrar algumas fêmeas que já estavam exaustas de tanto parir, algumas amigas começaram a me ajudar e expandimos para as redes sociais. Até hoje estamos lá, na tentativa de castrar e vacinar o maior número de animais possível. O grande problema, é que existem muitos animais doentes, muitas vezes nos optamos por tirar o animal da comunidade e assumimos ele até se curar e ser adotado, muitas vezes, gastamos mais do que podemos com o tratamento e hospedagem desses animais doentes que não sobra verba para a castração.

MB: Quem são e quantas pessoas ajudam com o projeto no dia a dia?
PP: Somos 2 que estão sempre na comunidade, tem outras voluntárias que ajudam com carona solidária e financeiramente às vezes.

MB: Vocês recebem alguma ajuda governamental? Como se mantêm?
PP: Não recebemos nenhum tipo de recursos do governo, 70% dos custos são bancados por mim, os outros 30% arrecadamos com doações ou realizações de ações, como venda de pizzas, rifas ou bazar.

MB: Qual importância do projeto na região onde ele está?
PP: Na cidade toda não existe nenhum tipo de controle populacional de cães e gatos, vindo do Estado, inclusive as prefeituras são obrigadas por lei, a manter o controle populacional desses animais, porém em Ribeirão Preto, há mais de 30 anos que nenhuma gestão se preocupa com a castração dos animais. Quem acaba fazendo esse trabalho são civis comuns, que pagam do próprio bolso a castração, vacinação e muitas vezes a hospedagem para tirá-los da rua. Temos pontos de abandonos bem conhecidos na cidade, como o Morro do São Bento, o cemitério da Saudade e a USP, locais que deveriam ser monitorados e feito CED (captura, esterilização e devolução) nos animais pela prefeitura, mesmo com vários pedidos e até processos no ministério público, nunca foi feito nada de efetivo, quem acaba fazendo as castrações são ativistas da causa animal, com recursos próprios. É muito triste, mas a cidade está abandonada há muitos anos.

MB: Vi alguns posts sobre doação de castração. Achei a ideia bem legal. Como funciona?
PP: Temos parceria com algumas clínicas veterinárias de Ribeirão Preto, conseguimos valores mais baratos, pois castramos em torno de 30 animais/mês, pedimos ajuda para conseguir continuar com esse número de animais castrados, as pessoas podem ajudar depositando em uma de nossas contas ou pagando direto na clínica. Quem não pode doar uma castração inteira, pode doar parte, qualquer valor é bem vindo.

MB: Por que ajudar os bichos?
PP: Não sei, desde criança tenho esse amor inexplicável pelos animais. Decidi fazer desse amor um projeto social porque entendi que se eles continuarem procriando nas ruas, o sofrimento nunca irá cessar, apenas passar dos pais para os filhos. É muito triste a situação dos nossos animais nas ruas, exposto a todo e qualquer tipo de maldade humana.

MB: Se alguém quiser colaborar com vocês, como fazer?
PP: Pode entrar em contato através da nossa página do Instagram @projetopandorarp ou pelo e-mail: projetopandorarp@gmail.com

Abaixo, os bichos da comunidade de Ribeirão Preto que o Projeto Pandora assiste.