Depoimento – Patrícia e Janjão

O Janjão é um Yorkie de 16 anos bem vividos. Já morou em 2 países e 3 estados diferentes no Brasil. Atualmente divide a casa com a irmã Josephina, adotada há dois anos – e recebe os cuidados que um cão da sua idade precisa, da humana Patricia Campagna. Ela escreveu um depoimento bem sincero sobre os cuidados com ele nos últimos anos e eu achei tão interessante e importante que compartilho com vocês. Importante porque devemos pensar antes mesmo da adoção, que o filhotinho de gato ou cachorro será um dia um bicho idoso e nesse momento eles merecem toda nossa atenção, carinho e paciência – nossa retribuição por todos os anos de felicidade que eles nos deram. Não é fácil, mas aos pegarmos um animal assumimos o compromisso também com os tempos mais difíceis. Leiam abaixo o que ela escreveu.

DepoimentoPC“Faz 3 anos que abrimos mão de viajar de férias, viajar nos feriados, dormir fora de casa, por termos um cão idoso. Há alguns meses temos aberto mão de muito mais que isso para cuidar dele. Ele é cardiopata, tem problema crônico nos rins, reumatismo, Artrite, Artrose…e essa semana, veio o diagnóstico de disfunção cognitiva, que é tipo um Alzheimer em cães. Isso explica muita coisa: ele trocar o dia pela noite, vagar pela casa, fazer suas necessidades fisiológicas em qualquer lugar, cair muito, não conseguir levantar sozinho, se meter em buracos, frestas e ficar lá, sem lembrar como faz para sair, tentar sair de casa pelas dobradiças da porta, inquietude, muita inquietude, apagões e dias quase normais, sem nada.

Tem sido muito difícil, não temos com quem revezar os cuidados, o que acaba nos privando de quase toda a vida social, a não ser as obrigações (onde nos revezamos). Os gastos são enormes, pois diferente de nós humanos, eles não têm planos de saúde e nem SUS. Janjão vai no mínimo 1 vez por semana ao veterinário, tem exames que são feitos quase semanalmente e são muitos os remédios. Estamos muito cansados, mais pobres, mas jamais pensamos em desistir de fazer o nosso melhor para dar qualidade de vida para ele.

Ele nos agradece com lambidas, muita festa quando retornamos pra casa, com seu mau humor engraçadinho, com sua confiança em nós, quando “capota” ou se “entala“ em um canto e fica esperando pq sabe que iremos ajudá-lo, com todo seu entusiamo por qualquer coisa de comer.. rs e/ou quando tiro uma foto, como essa e só sinto amor quando olho.

Se você leu esse relato e pensou : É só um cachorro… não tenha animais de estimação, por favor.”

Zigg, um cachorrinho esperto e temperamental

Você já teve aquela sensação quando está sozinha(o) em casa que falta alguma coisa? A Jaque Hermes sempre resgatou e teve cachorros enquanto morava com os pais, mas quando foi morar sozinha parecia que faltava algo. “Um dia soube que uma vizinha estava com uns filhotes mestiços que ela não poderia vender, eles iriam para um abrigo. Quando cheguei foi amor à primeira vista, 5 bolotinhas minúsculas, mas tinha um por quem eu me apaixonei desde que o vi. Era o maior e bem mais esperto que os outros, pretinho com o pelo duro, e a filha da dona me disse que era um dos únicos que tinha nome, Bob Marley. Como achei um nome muito manjado troquei pra Zigg e mantive o Marley.” Leiam abaixo a história cheia de aventuras do Zigg e da Jaque, que ela mesma escreveu para o Manual 😉

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Ziggy bebê e hoje em dia

“Ele foi um bebê terrível, bagunceiro e chorão (é até hoje, na verdade). A dona do canil tinha dito que a mãe dele era Yorkie e o pai dele era Lhasa Apso, mas pela aparência dele eu tinha certeza que estavam tentando “me enrolar”. Adotei ele crente que ia virar uma estopinha e era exatamente isso que eu queria (doce ilusão).

Um tempo depois acabei voltando para a casa dos meus pais, na parte rural de Caxias do Sul – RS. Lá ele aprontou de tudo, precisou ir pra veterinário com espinhos de ouriço, corria atrás das galinhas, roubava ovos, fugia pra brincar com o cachorro do vizinho, ia caçar… tudo isso com o “manão” dele, o Urso (um bebezão de 14 anos e 40kg que foi resgatado das ruas anos atrás) e foi a melhor coisa para a formação dele.

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Um belo dia ele acordou mal, fugia de todos, se escondia. Levamos ao veterinário e ele ficou internado. No outro dia fui visitá-lo e a médica me informou que ele estava com Parvovirose* e Giardia**, e que provavelmente não iria sobreviver. Lembro que pedi pra vê-lo e ela disse que ele estava no isolamento e não poderia receber visitas, perdi meu chão. Nessa época o cabelo dele já estava “clareando e alisando” e eu percebendo que minha estopinha não ia ter nada de estopa, ele tinha 8 meses.

Depois de 4 dias de internação ele teve alta, a felicidade não cabia em mim. Continuamos nossa vidinha até que conheci o Caio (que morava em SP e tinha 2 gatos e uma cachorrinha bem idosa) pela internet, um tempo depois resolvemos nos mudar para SP.

Zigg Marley sempre foi muito temperamental, assim como o Mozart (gato de quase 8kg do Caio) e confesso que de início tive bastante medo e eles estavam sempre com supervisão. Nos primeiros dias não trocavam olhares e depois começaram a se aturar.

Um mês depois a Vitória (cachorrinha de 17 anos do Caio) morreu e um pouco depois Mozart foi atropelado e quebrou o maxilar. Ficou na UTI, fez várias cirurgias, precisou colocar sonda e sempre ficava grogue pela medicação. Com isso Zigg se aproximou muito do Mozart, estava sempre preocupado, acompanhava cada hora do remédio, cada troca de curativo, cada vez que íamos dar comida e água.

Foi assim que eles viraram amigos, brincam, brigam às vezes, mas é coisa de irmão. Judith (a outra gata) é bem mais na dela, não dá muita atenção pra ele, mas a convivência também é boa.

Zigg nunca fez suas necessidades em casa, então saímos com ele várias vezes por dia e enquanto trabalhamos ele fica na casa da vó dele que faz tudo que ele quer.

E estamos aí. Ele lindo, loiro e liso, amando o Caio enlouquecidamente e sendo tratado como neto pelos meus sogros.”

***

Abaixo o descritivo das doenças (graves) que o Zigg teve e se curou.

*Parvovirose
É uma doença infecto-contagiosa causada por um vírus chamado parvovírus. Esta virose pode afetar cães de qualquer idade, porém os filhotes são mais suscetíveis à doença. Pois na maioria dos casos os filhotes de cães ainda não foram imunizados. A parvovirose canina pode ser transmitida pelo contato com as fezes e secreções de animais contaminados. O parvovirus é resistente, podendo manter-se no ambiente durante meses e desta forma infetar um novo hospedeiro.
Os sintomas iniciais incluem perda de apetite, diarreia, vômitos, desidratação, problemas respiratórios. A principal forma de prevenir esta doença é vacinação.

**Giardíase
A giardíase canina é uma doença provocada por um protozoário (Giardia lamblia) que se aloja no intestino dos animais. A infecção acontece quando o cão ingere água e alimentos contaminados por cistos oriundos das fezes de outro cachorro já infectado. Os principais sintomas são: Diarreia, vômito, desidratação, perda de peso, entre outros.Recomenda-se a vacinação, bons hábitos de higiene como método de prevenção. Vale ressaltar que as pessoas também estão sujeitas a adquirir essa doença.

Fonte: Wikipédia