Salvelina, uma cachorrinha na França

A Salvelina é uma cachorrinha SRD de 4 anos de idade. Quando eu descobri o motivo dela ter esse nome eu quase morri de rir. Vocês se lembram do vídeo do garotinho que dizia para o amigo no carrinho: “taca-lhe pau nesse carrinho Marcos”? Se não lembram vou colocar no final desse post porque vale a pena rever, e foi daí que veio o nome Salvelina, cachorrinha da Ingrid Gazzoni. Elas moram na França e contam aqui como foi a mudança e como está sendo a vida por lá, um país conhecido por ser muito inclusivo em relação ao cães, mas que também tem um lado B.  Vejam o que ela conta na entrevista abaixo.

WhatsApp Image 2018-10-14 at 4.20.16 AMMB: Como começou a história de vocês?
IG: O meu marido queria fazer um MBA fora do Brasil, enquanto pesquisamos as faculdades, pesquisávamos também as regras de “imigração” para a Salvelina. A escola que o meu marido está fazendo, INSEAD, tem um campus aqui na França e outro em Singapura, e poderíamos optar por estudar aqui ou lá. A Salvelina foi o quem nos ajudou a escolher o campus, pois a França é bem mais tranquila em relação a vinda de animais do que Singapura, onde os bichinhos têm que ficar de quarentena. No final, foi a melhor decisão, pois logo depois que ele passou eu descobri que estava grávida. Ou seja, nos mudamos com um cachorro e uma bebê recém-nascida.

MB: Há quanto tempo vocês moram na França? E em qual cidade vocês moram exatamente?
IG: Estamos morando desde agosto desse ano e iremos ficar até julho do ano que vem. Moramos em Fontainebleau, uma cidade de 15 mil habitantes, há 65 quilômetros de Paris.

MB: Como foi a mudança dela?
IG: Para nós o maior desafio era fazer com que a Salvelina sofresse o mínimo necessário durante o voo. Para isso, optamos por trazê-la em um voo direto Rio x Paris. Voos diretos são sempre bem mais caros, e por isso, eu e o meu Marido viajamos em voos separados. Eu vim com a Marina (nossa filha que estava com quase 3 meses) em um voo com conexão pela TAP e ele veio no voo direto da Airfrance com a Salvelina. Uma dica que eu dou para quem vai fazer uma mudança grande assim é chegar em dias diferentes. Eu cheguei um dia depois do meu marido e foi bem mais tranquilo, pois malas, cachorro e bebê seria muito complicado. Para chegar na nossa cidade optamos por alugar um carro.

MB: Alguma dificuldade? Em relação a documentação exigida ou mesmo pela viagem em si.
IG: Escolha muito bem o veterinário que vai acompanhar o processo. A Salvelina teve que tirar sangue três vezes para fazer o exame da raiva. A primeira vez, eles mandaram todo o sangue da Salvelina para o laboratório que faz a análise da sorologia sem processar o sangue antes. Na segunda vez, esqueceram de me falar que era necessário o animal estar em jejum e ela teve que tirar sangue pela terceira vez.

MB: Até aqui alguma curiosidade ou situação inesperada?
IG: A princípio por conta do preço das passagens tínhamos pensado em vir pela TAP, mas descobrimos que você tem que sinalizar o aeroporto antes da viagem, pois se você chegar em Portugal com um animal sem ter avisado antes tem que pagar uma multa. Aqui na França praticamente não houve imigração da Salvelina. Todos os documentos foram apenas consultados pela AirFrance no Brasil.

MB: Quais diferenças você nota em relação a vida com bichos no Brasil e na França? Pet shops, alimentação, etc..
IG: Aqui os cachorros podem entrar em praticamente TODOS os lugares. É comum ver cachorros grandes e pequenos dentro de restaurantes, e eu não estou falando nas mesas do lado de fora não, dentro mesmo. Já vi cachorros dentro de museus e por ai vai. Uma coisa que me incomoda muito é que infelizmente poucos franceses têm o habito de recolher os cocôs das calçadas.

MB: Há muitos animais abandonados onde mora? E se houver, existem ONGs e protetores independentes?
IG: Estou morando no interior e ainda não vi nenhum cachorro de rua. Já vi alguns gatos, mas como tem muita casa, acho que todos tem um lar.

MB: Alguma dica para aqueles que podem fazer a mesma mudança em breve?
IG: Quando estávamos planejando a mudança muitas pessoas ficaram chocadas em saber que iriamos levar a Salvelina. Eu ficava chocada mesmo em saber que por conta do trabalho que o processo dá algumas pessoas optam por abandonar os animais. Então a minha principal dica é: Vai ser caro, vai dar trabalho, mas ter o seu animal com você não tem preço. ❤ ❤ ❤

 

Salvelina com a família que foi para França e não a deixou para trás

 

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Abaixo o vídeo que a Ingrid comentou e de onde veio a inspiração para o nome da Salvelina 🙂